Páginas

Mostrando postagens com marcador CreepyPast. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CreepyPast. Mostrar todas as postagens

O Bosque das Almas

domingo, 18 de setembro de 2016.
Há dois dias perdidos naquela mata, tudo parecia o inferno. Eram em oito no início da aventura. Saíam de casa para o bosque das almas com a intenção de beber, fazer sexo e descansar, mas agora os três sobreviventes da chacina corriam por suas vidas, enquanto o assobio aterrorizante os seguia por entre as árvores. Ana Alice, uma linda loira, parecia cansada, seu namorado Jonas, um rapaz moreno, forte e de olhos verdes, a levava nos braços, e o terceiro era Samuel, um ruivo alto de porte atlético. Os três finalmente avistaram uma cabana antiga, na qual se esconderam.


– Essa maldita está brincando com a gente – disse Samuel – nos deixou vivos pra se divertir.
– Nós vamos morrer amor? – perguntou Ana – estou com medo.
– Não tenha – respondeu Jonas a abraçando forte.

Enquanto ficavam lá, ouviram o mesmo assobio infernal de algumas horas atrás, quando viram seus amigos serem esquartejados e devorados pelo que parecia ser uma menina branca de cabelos pretos, com dentes afiados e que cortavam como facas. Matava com suas garras afiadas, com a qual furava os olhos e a jugular, comendo as vítimas em seguida.

O assobio foi se intensificando até tornar-se um berro horrendo, e a criatura aparecer atrás do casal, espirrando sangue do rapaz no rosto de sua namorada e devorando-o em sua frente. Ana tentou fugir, mas teve o cabelo puxado e os olhos perfurados, caindo estrebuchando no chão e morrendo lentamente, até ser comida pela criatura. Samuel conseguiu fugir, mas foi posto num manicômio após contar a historia, e ainda foi acusado de ter matado todos os amigos, enquanto no bosque das almas os corpos nunca foram encontrados, e o derramamento de sangue nunca chegaria ao fim.


Leia Mais

O Ritual Proibido

domingo, 11 de setembro de 2016.
Yuki olhou através da pequena janela do quarto ao perceber que a lua voltara a aparecer. Não conseguia lembrar quando foi a última vez que vira uma lua cheia tão grande como aquela. A forte luz que brilhava nas águas escuras só deixava a vista dali mais incrível. Se realmente tinha que ficar isolada para a purificação aquele definitivamente era o melhor lugar. Tudo que se ouvia naquela região era o som das ondas do mar batendo nas rochas. Yuki gostava, mas não escutava mais nada há dias e já estava começando a se irritar.

Um dos sacerdotes acabara de deixar sua refeição, mas ela nem conseguiu tocar na comida. Não conseguia parar de pensar na sua irmã, que não via há dias. Se Miya estivesse ali provavelmente iria obriga-la a comer, mas não tirava da cabeça as palavras de seu pai. “O futuro da nossa comunidade agora depende inteiramente de vocês, esse será o destino das duas.” Seu pai era o Sacerdote Chefe da vila, e ele próprio um Remanescente. Ele havia realizado o Ritual do Sacrifício com seu irmão gêmeo há quase 25 anos e ele mesmo tivera a ideia de oferecer as filhas para o próximo, após o ritual dos irmãos Miura ter fracassado. Para ele e para quase todos da vila era uma honra. Uma glória eterna para a família. Mas Yuki e Miya Kimura pensavam diferente. Yuki achava extremamente cruel e desnecessário e nunca iria conseguir estrangular a própria irmã.
O novo ritual era dentro de apenas alguns minutos, mas Yuki e Miya tinham armado um plano com o irmão Miura Remanescente. Akira Miura havia orientado as irmãs que quando fossem ser levadas para o ritual elas deveriam correr o mais rápido que puder até o Grande Carvalho, que ficava ao sul da vila. Lá ele iria deixar as irmãs aos cuidados do seu amigo folclorista da cidade, que concordou em ajudar. Akira foi tomado por uma profunda angústia após ter estrangulado seu irmão gêmeo no Ritual do Sacrifício anterior e não queria aquele mesmo destino para suas amigas Yuki e Miya. Yuki sabia que aquele era o único jeito. Não queria mais fazer parte daquele lugar. Teria que se despedir de todos para sempre e iniciar uma nova vida com sua irmã.
Yuki vestiu o quimono branco que havia sido deixado para ela pela manhã e esperou. O Senhor Kimura, pai de Yuki, destrancou a porta minutos depois e entrou no quarto. Yuki pôde ver os Sacerdotes Velados do lado de fora, alguns seguravam tochas e outros carregavam varais budistas de metal.
-Está pronta, minha criança? – disse o pai de Yuki, quebrando o silêncio.
Ela apenas o encarou com seus olhos negros, deixando seu medo transparente. Seu pai forçou um sorriso cínico e estendeu a mão para ela. Como ele podia deixar a filha nessa situação? Como ele podia obrigar que sua própria filha estrangulasse a irmã em um ritual sem sentido? Yuki naquele momento desejou que seu pai estivesse morto.
- As Trevas não irão tolerar outro ritual fracassado. Nós precisamos de vocês – disse com calma.
Yuki nunca entendeu o que seu pai queria dizer com essas tais “Trevas”. Ele também costumava dizer às filhas que gêmeos tinham um poder espiritual muito grande e que elas um dia, assim como ele, iriam participar de uma cerimônia importante.
Yuki andou em direção aos sacerdotes, deixando seu pai com a mão estendida. Os sacerdotes usavam um manto todo preto com apenas um cinto de corda vermelho, o que era incomum para sacerdotes tradicionais. Porém o que era mais incomum era o véu que encobria seus rostos completamente. Yuki não entendia para o que servia aquilo e esperou o sinal de Akira, enquanto seu pai andava em sua direção.
De repente um forte estrondo rugiu. Os sacerdotes olharam surpresos para o clarão. Yuki soube imediatamente que Akira havia conseguido explodir alguma coisa e sabia que aquela era sua única chance. Então, ela começou a correr rapidamente para o sul da vila com seu coração quase escapando pela boca. Ela olhou para trás e viu seu pai gritar alguma coisa, enquanto apontava furioso para ela. Imediatamente vários sacerdotes arrancaram o véu do rosto e correram atrás dela. O local todo estava muito escuro e talvez fosse fácil despista-los. Yuki iria encontrar com Miya no Grande Carvalho se tudo tivesse dado certo pra ela.
Yuki começou a atravessar a ponte de madeira que separava os participantes do ritual do resto da vila. Ela rapidamente pulou o guarda-corpo e se pendurou para fora segurando nas tábuas de madeira. Os sacerdotes cruzaram a ponte sem perceber Yuki e entraram na vila. Ela fez força nas mãos, subiu de volta e foi na outra direção.
Yuki viu Miya de costas para ela aos pés do Grande Carvalho e a chamou. Miya virou-se e pareceu que Yuki estava diante de um grande espelho. Além de gêmeas, Miya parecia ter a mesma expressão doce e suave no rosto. Apesar de ser mais nova Miya sempre cuidou de sua irmã, as vezes quase sendo uma segunda mãe. As duas irmãs se abraçaram forte.
-Você está bem, irmã? – disse Yuki enquanto uma lágrima escorria do seu rosto até cair no ombro de Miya.
-Estou... – Miya olhou para a irmã e continuou – Akira foi capturado, eles o descobriram. Ele disse que o amigo folclorista da cidade estará a nossa espera à beira do lago. Temos que ir pra lá rápido!
-Vocês estão cientes do erro que estão cometendo?
Yuki e Miya gelaram ao verem o Senhor Kimura diante delas e vários sacerdotes atrás dele carregando tochas. As duas começaram a correr rapidamente, adentrando a floresta.
-Peguem-nas! – gritou o Senhor Kimura para os sacerdotes. Eles prontamente obedeceram as ordens e começaram a perseguir as garotas.
Miya era mais ágil e estava deixando Yuki para trás. A floresta era muito densa e nenhuma das duas conseguia enxergar mais que um palmo à frente. Yuki virou-se e viu a luz das chamas das tochas dos sacerdotes se aproximar.
-Miya! Espera! Não me deixa para trás!
-Vem rápido! – virou-se para Yuki enquanto corria.
Miya mesmo assim apressou o passo enquanto tentava lembrar qual era o caminho do lago, mas estava muito escuro... E silencioso de repente. Não conseguia mais ouvir Yuki ofegante. Miya parou e virou-se. Sua irmã não estava mais lá, não tinha mais ninguém.
-Yuki?! Yuki!
Miya começou a tremer, voltou um pouco pelo lado que veio, mas não havia sinal algum de Yuki.
Yuki estava a poucos metros dali e pôde ouvir sua irmã. Ela tentou gritar de volta, mas sua voz não saiu ao virar-se e dar de cara com os sacerdotes. Ela tentou recuar, mas os sacerdotes a agarraram. Ela se debateu com fúria e tentou chuta-los, mas eles começaram a leva-la de volta a vila. Yuki viu alguns sacerdotes irem atrás de Miya.
Yuki foi levada até a casa de um dos moradores. Ela sentou no chão quase soluçando enquanto ouvia os sacerdotes e residentes da vila ao seu redor tentando decidir como eles realizariam o ritual agora. Seu pai estava entre eles.
-Não temos mais tempo, Miya não voltará! O ritual deve ser realizado hoje ou as Trevas reinarão sob nossa comunidade! – disse o Sacerdote Chefe, o Senhor Kimura.
-Pai, por favor... Não faz isso! – Yuki soluçou.
O Senhor Kimura curvou-se para Yuki e limpou suas lágrimas do rosto.
-Não chore, minha criança. Há sacrifícios que devem ser feitos para um bem maior.
Yuki não percebeu nenhuma emoção na frase dele. Ela e sua irmã haviam sido criadas por seu pai com mãos de ferro. Ele sempre fora severo e duro, mas ela não imaginaria que um dia iria implorar por sua vida a ele. O Senhor Kimura ordenou que levassem Yuki até o Abismo Oco.
Yuki andou no meio dos Sacerdotes Velados até uma parte da vila onde nunca tinha ido antes. Ela viu uma corda improvisada amarrada em uma parte de madeira do telhado de uma casa próxima. A ponta da corda estava atada de modo a formar um
círculo, onde sua cabeça podia entrar facilmente. Yuki sentiu um frio maior percorrer sua espinha ao ver o Abismo Oco. Era um enorme buraco que estranhamente formava um quadrado perfeito de mais ou menos 8 metros em cada lado e com a lua cheia posicionada exatamente em cima. Yuki foi guiada até a corda, enquanto os sacerdotes começaram a rodear o abismo. Ela, a essa altura, já não acreditava mais que sua irmã voltaria para salva-la.
Miya finalmente havia achado o caminho de volta à vila. Tinha que salvar sua irmã. As duas eram unha e carne. Miya nos últimos dias tinha pensado como seria viver sem sua irmã e não conseguia suportar a ideia. A amava tanto que podia facilmente abandonar seu povo e não voltar nunca mais. 
Aquele ritual era sádico. Cruel. Desumano. Akira havia dito que para apaziguar as Trevas era preciso de jovens gêmeos idênticos. Ele mencionara que a energia liberada quando o irmão mais velho estrangulava o mais novo era tão forte que o povo da vila acreditava que era suficiente para acalmar as Trevas que viviam no Abismo Oco. Miya tentou afastar os pensamentos ruins e continuou correndo na esperança de encontrar o local do sacrifício.
O Senhor Kimura passou a corda sobre a cabeça de Yuki e em seguida apertou o nó no pescoço. Ela se equilibrava em pé em cima do corrimão da varanda no segundo andar da casa com as mãos atadas.
-Chegou a hora, filha – disse o Senhor Kimura antes de dar um beijo no rosto dela.
O Senhor Kimura a empurrou forte. Yuki gritou ao cair da varanda, seu corpo ficou suspenso pela corda em volta de seu pescoço. Ela começou a agitar as pernas histericamente e tentou soltar as mãos, mas nem sequer conseguia chorar mais. A corda balançava o tempo todo e seu corpo girava enquanto ela tentava desesperadamente respirar. Então Yuki começou a sentir sua visão escurecer, suas pernas vagarosamente acalmaram e a última coisa que pensou foi por que Miya não havia voltado por ela.
Após cortarem a corda, o corpo de Yuki foi levado pelos sacerdotes até a beira do abismo. O Senhor Kimura conduziu o processo de perto, enquanto alguns moradores murmuravam preces. Dois sacerdotes levantaram o corpo de Yuki e o mergulharam na escuridão infinita que habitava aquele lugar.
Miya atravessou a ponte de madeira em busca de Yuki quando de repente ouviu um estrondo enorme. Ela sentiu o chão tremer e ouviu um forte zumbido no ouvido. Miya seguiu o barulho até um grande portão no lado norte da vila. Ela viu alguns moradores e sacerdotes correrem desesperados para fora, gritando de pavor. Eles nem pareceram nota-la, só estavam preocupados em fugir dali.
Miya adentrou o local confusa e viu o Abismo Oco. O zumbido parara e o lugar parecia estar vazio. 

A lua encoberta pelas nuvens deixava tudo mais escuro. Miya andou em direção ao buraco quando de repente um relâmpago iluminou tudo. Vários corpos mutilados estavam espalhados em volta da área toda. Sacerdotes e moradores jaziam banhados em sangue. Miya gritou, recuando para trás e tropeçou. Ela virou e viu seu pai engasgando sangue na sua frente. Ele tentou dizer algo para ela, mas foi interrompido quando seu pescoço girou sozinho para o lado rapidamente. Miya gelou ao ouvir o estalo dos ossos. Ela rapidamente se levantou e ouviu uma risadinha.
Miya virou-se e deu de cara com Yuki de cabeça abaixada, em pé, à beira do abismo. Seu quimono branco estava encharcado de sangue. Yuki levantou seus longos cabelos negros expondo uma terrível marca vermelha em volta do pescoço e começou a gargalhar. Os risos agudos eram assustadores, não pareciam ser humanos. Miya percebeu que aquela não era mais sua irmã e sentiu uma forte onda de medo percorrer seu corpo. Ela virou-se rapidamente preparada para sair, mas de repente os risos cessaram. Então, Yuki apareceu de frente para Miya de repente. Ela caiu para trás e se pôs a recuar.
-Você vai me deixar de novo? – Yuki sussurrou numa voz medonha enquanto se aproximava rápido de Miya – Você vai me deixar pra trás de novo, irmã? Você deveria ter cuidado de mim – Yuki riu.

Miya gaguejou, mas não conseguiu dizer uma palavra. Ela virou-se para o abismo e viu uma onda negra de escuridão engolir toda a vila. Virou de volta para o que um dia foi sua irmã e, a última coisa que viu foram seus enormes olhos negros tomados pelas Trevas.
Leia Mais

Spam

domingo, 17 de abril de 2016.
O carro dos meus pais saiu da garagem e eu fui direto para o meu quarto. Meu laptop estava em cima da escrivaninha e eu o liguei.

19h30 Entrei no Facebook mas logo fiquei entediada porque não tinha ninguém com quem eu gostaria de conversar online. Lembrei que um amigo havia me falado sobre um site outro dia. Ele me disse que muitas pessoas entram nesse site e compartilham um negócio chamado "creepypasta"? Bom, decidi tentar. Entrei no site e a primeira coisa que vi foi uma citação bem esquisita no topo da página.

20h00

Enquanto ainda fuçava pelo site, encontrei histórias na categoria NSFW* e decidi ler algumas delas. Iam de histórias sobre namoros que deram errado, um episódio perdido de Bob Esponja, uma musiquinha estranha de video game que fez meus ouvidos doerem e algo sobre um homem degenerado que queria que sua mãe o molestasse toda hora até coisas sobre as quais eu já havia ouvido falar, como Jeff The Killer, Slenderman, o Rake...

Decidi abrir uma conta e conhecer mais do site. Coloquei um username... 'Lily!' e o site pediu por e-mail. Coloquei um que eu sequer olhava. Quando coloquei todas as minhas informações e já estava animada pra começar a usar, ele me pediu que checasse o e-mail de confirmação antes. Merda.

20h46

Na minha Caixa de Entrada, não conseguia achar o e-mail da Wikia, então continuei passado pela lista de e-mails até descobrir que tinha ido pra caixa de spam. Fui até a pasta cheia de e-mails me dizendo que havia ganhado algo ou que "encontraria o amor" num site de relacionamentos religioso até que finalmente achei o e-mail.

Mas outro e-mail chamou minha atenção.

Estava na caixa de spam, mas o título era: Um Jeito Assustador de Terminar um Namoro.

21h00

A curiosidade falou mais alto, então cliquei... Mas logo comecei a rir porque vi que era apenas mais uma daquelas correntes. Tinha diversos erros gramaticais e envolvia um namorado matando sua ex ou algo do tipo.

UM JEITO ASSUSTADOR DE TERMINAR UM NAMORO!

NÃO PARE de ler isso ou algo muito ruim irá acontecer!




Um dia, Sarah estava indo a pé da escola para casa quando seu namorado passou de carro e buzinou para que ela entrasse no carro e, quando ela o fez, os dois foram até o lago. Seu namorado disse que ia lhe contar algo muito importante. Sarah podia jurar que ele ia pedi-la em casamento. No entanto, ele a empurrou para dentro do lago e gritou "Acabou entre a gente, você é péssima!! Eu te odeio e acho que você devia se matar!"

Ele riu enquanto entrava no carro e dirigia para longe. Era um dia muito frio. Sarah saiu do lago, morrendo de frio, e se sentindo mal como nunca. Quando chegou em casa, entrou na banheira e cortou os pulsos, morrendo ali mesmo. Os pais dela gritaram e berraram para que ela saísse da banheira até que finalmente arrombaram a porta.

Não viram ninguém, mas o banheiro todo estava encharcado com o sangue de Sarah. Sua mãe enlouqueceu e se matou três dias depois e seu pai etá na prisão, acusado de assassinato. Mais tarde naquela semana, o pai do namorada da Sarah estava tomando banho quando ela apareceu de dentro do ralo, sangrando e apodrecendo, com lâminas na mão e disse "acabar com a vida dele... acabar com a vida dele...". Ela cortou sua garganta antes que ele pudesse gritar.

Sarah matou toda a família dele, mas não conseguia achar Jason em lugar nenhum. Se você não repostas isso com o título "1 jeito assustador de terminar", você não tem coração... e Sarah virá atrás de você pelo ralo do chuveiro e te matará do mesmo jeito que matou o namorado.

Você tem 13 minutos.


21h45

Depois de rir por um tempo daquela corrente, fechei o computador e olhei pela janela porque um som havia chamado minha atenção. Fui preenchida por medo.

Sentado em suas longas pernas e sua cara feia, estava meu ex namorado idiota. Fumando.

Ele jogou o cigarro no chão e bateu na minha janela. Ignorei-o e fechei a cortina. Ouvi-o xingar e ouvi seus passos na escada da entrada da minha casa, mas não ouvi o seu carro ligando. Dei de ombros e saí do quarto, o chão estalando conforme eu andava. Por algum motivo, ainda estava pensando naquela corrente. Bufei e fui ao banheiro.

21h57

Tirei a roupa e entrei no banho. Enquanto lavava o cabelo, comecei a pensar em escrever uma creepypasta. Minha mente foi inundada por ideias, até que ouvi o barulho de algo rangendo... vindo da porta. Ignorei e fechei os olhos para tirar a espuma do cabelo.

De repente, a cortina do chuveiro se abriu e eu gritei, horrorizada. Lutei violentamente e escorreguei na banheira, caindo de cara no chão. Senti uma dor repentina na minha batata da perna. Havia uma faca lá, bem funda, e o sangue corria e vazava para o chão. Ainda nua, consegui escapar do agressor e fui até a parte da frente, torcendo para que algum dos vizinhos estivesse lá fora, mas todas as casas estavam escuras e um silêncio ensurdecedor preencheu o ambiente.

Senti uma respiração quente no meu pescoço e uma língua lambeu minha nuca. Tive que engolir as lágrimas enquanto me virava lentamente.

Ele riu na minha cara enquanto cravava uma faca no meu estômago e rasgava a região. Meus gritos se tornaram gemidos enquanto eu caía no chão, tentando segurar minhas entranhas, meu rosto encharcado com aquele sangue quente e grudento. Virei-me mais uma vez para vê-lo. Sua respiração cheirava a cigarro enquanto ele chorava.

"Você é tão linda! Como não pôde me amar?" seu tom de voz mudou repentinamente para um tom mais otimista "E eu ainda te amo! Ainda posso fazer amor com você! Você só vai estar um pouco mais fria... E reclamar menos..." ele chorava.

Finalmente tirei as mãos do meu estômago enquanto as lágrimas quentes me cegavam. Sangue jorrava da ferida e minha visão estava borrada. A última coisa que vi foi ele abrindo o zíper e corri meu olhar para o relógio da rua... Há 12 minutos atrás eu estava rindo de uma corrente... Caí em questão de minutos. Gostaria de ter pego uma faca... Teria feito mais sentido.

Entreguei-me à escuridão. A última coisa que senti foi algo entrando em mim.

21h58

Ela é tão linda! E esta ótima... Mais do que o normal. Esforcei-me pra que durasse, mas não tirei há tempo.

Assim que havia terminado, peguei-a pelos pés, deixando um rastro de pele e sangue pra trás. Eu não ligava pra bagunça. Eles entenderiam nosso amor.

Fui até seu quarto para pegar algumas roupas pra ela. Procurei até achar uma mala dentro do armário. Vi seu computador e liguei-o, procurando por horários de ônibus. O e-mail dela estava aberto em uma corrente. Senti, de repente, um sentimento horrível tomar conta de mim... Como alguém sabia?

E então eu congelei. Pude ver algo pelo reflexo do canto da tela do computador. Tinha algo atrás de mim, balançando pra frente e pra trás, com algo afiado nas mãos. Tinha longos e escuros cabelos e estava soluçando. Eu estava paralisado e com frio. Olhei para o meu amor no chão, fria e ensanguentada, e quis protegê-la.

Quando me virei, aquilo ainda estava no canto, soluçando, mas agora olhava diretamente pra mim, com um olhar mortal. Tinha que sair dali com ela, de maneira segura, então rapidamente peguei a mala e virei-me por apenas um segundo. Um grito horrível preencheu o cômodo enquanto aquilo vinha pelo chão com uma velocidade inumana e cortou brutalmente meu calcanhar. Gritei enquanto caía no chão ao lado do meu amor. Seu olhar congelado em choque. Não se preocupe, eu vou te proteger...

Arrastei-me até o banheiro, sem saber para onde aquela coisa havia ido. Levantei até ficar na altura da pia e vomitei enquanto a dor e a tontura inibiam meus sentidos. Assim que olhei no espelho, estava lá, se arrastando na parede ao meu lado. Tentei me mexer, mas aquilo pulou nas minhas costas, cravando as lâminas na minha pele. Olhei no espelho e então vi que era uma garota. Ela começou a gritar, enquanto levava um caco de vidro ao meu pescoço.

"O tempo acabou, Jason!" disse com uma voz demoníaca.

Antes que ele pudesse gritar, Sarah cortou sua garganta.
Leia Mais

Room Zero

quarta-feira, 13 de abril de 2016.

Já faz um tempo que eu não falo nada relacionado a Corporação Disney e tenho certeza que você sabe o porquê.

Muita coisa vem acontecendo desde minha última postagem. Recebi um monte de perguntas e preocupações de pessoas que leram meu relato em primeira mão do Palácio de Mogli, um resort que foi construído e Abandonado pela Disney.

Eu quero agradecer a todos que compartilharam pela internet. Infelizmente, ele foi excluído de alguns lugares, principalmente dos sites corporativos de grande influência que foram facilmente intimidados por um poder maior. No entanto, para cada tópico deletado ou postagem de blog excluída, mais umas cem surgiram.

Isso é algo que eles não conseguirão enfrentar. Não há mais volta para eles e nem pra mim.

Eu definitivamente estou sendo perseguido. Fiquei um mês ou dois isolado, paranoico. Qualquer olhar casual ou um pequeno sorriso em minha direção me causava desespero e até arrepio na parte de trás do pescoço.

A pessoa, ou melhor, a primeira pessoa que eu percebi estar me perseguindo, foi um falso consertador de telefones que ficava em volta de meu apartamento.

Ele tinha meia-idade, pastoso, vestido exatamente como qualquer um esperaria. Eu não poderia acusa-lo, mas sabia que isso não era apenas minha imaginação agindo. Ele era estranho, não parecia confortável fazendo seu trabalho de rotina.

Um dia eu segui ele de canto, mas rapidamente o perdi de vista. Quando voltei pra casa, lá estava ele. Me olhando diretamente no olhos, cerca de dez metros atrás de mim. Inexpressivo e frio.

-Explorando de novo? - perguntou ele. Isso foi tudo o que disse e havia um tom acusador em sua voz.

Diga-me se especialistas em conserto de telefones diriam algo assim?

Eu acho que essa é a pior parte. Nunca me sentir seguro. Apenas sozinho. Sempre encontrava pela casa algum material diferente da Disney que eu nunca havia visto ou notado antes. Borracha escolar no formato do Mickey, uma revista da Disney Explora na minha estante, etc.

Eles esconderam pequenos Mickeys em todos os lugares. Três círculos, um grande e dois pequenos, formando a silhueta da cabeça do famoso rato.

Eu comecei a reparar em todos os Mickeys que encontrava.

Marca de copos de café em minha mesa, uma grande, duas pequenas. Garrafas de vidro coloridas deixadas na porta, vistas de cima para baixo. Grafite em muros a caminho do meu trabalho, uma enorme terra, um pequeno sol e lua nos locais e tamanhos apropriados formando novamente outra silhueta do Mickey.

Eles estão por toda parte.

As pessoas têm me enviado sobre isso também. Se você compartilhar tudo o que eu tenho a dizer, você vai começar a encontrar esses contornos filhos da puta. Eu garanto.

Uma vez, de longe, algo me fez rir por causa do horror de todo esse transtorno. Havia um desenho de giz ao lado do meu carro. Fiquei surpreso no início, andando pelo estacionamento, mantendo-se atento para as pessoas me seguindo.

O desenho no chão parecia um... Bem, uma "vítima de assassinato". Você provavelmente está familiarizado com esse desenho em filmes e séries.

Ao lado do desenho, escrito em amarelo, feito a mão... Tinha uma única palavra.

"VOCÊ"

A única coisa boa em tudo isso, é que não sou o único que viu algo que não devia.

Não vou dar nomes, porque... bem, se eu dizer o porquê, você não prestaria atenção.

"Auditores" vão para o parque da Disney sempre que podem, durante o ano. Eles não vão para se divertir ou desfrutar do passeio, etc.

Eles observam muito as máscaras de gás infantis nas pessoas.

Parece ser uma tradição, aparentemente pessoas em todo parque usavam. Homens, mulheres, adultos, crianças e adolescentes.

Todos com máscaras de gás de personagens da Disney.

Os auditores voltavam e a Disney recebia toneladas de reclamações sobre pessoas "estranhamente vestidas" andando ao redor do parque. Pessoas que se misturavam com a multidão e desaparecem.

Mais tarde, as máscaras de gás fizeram com que as pessoas as tirassem e teorias e relatos de "possíveis terroristas" começaram a fluir.

Todos esses relatórios provavelmente foram direto para a lata de lixo. Eu sei que não consigo encontrar nenhum sinal de qualquer dessas ocasiões relatadas pela mídia (embora você deve estar ciente do fato de que a Disney pode muito bem controlar a mídia como ninguém).

Esses auditores e fiscais vão aos parques, falam com algumas pessoas e tentam não chamar a atenção. Eles perguntam para três ou quatro famílias se eles viram alguém usando uma "máscara engraçada".

Na verdade, eles querem uma máscara de gás pra usar como prova... Embora em uma ocasião, uma criança apontou para um deles na entrada do parque. Ele correu no meio da multidão e ouviu uma voz única gritar na frente dele: "Mamãe, eu quero uma máscara do Pateta também!"

Um colega que vou chamar de "Salva-vidas" trabalhou em um parque aquático da Disney de 2001 a 2003. Ele ficava no topo de um enorme tobogã de água e fazia com que nenhuma das crianças ficasse muito agitada. Colocando as crianças no tubo do tobogã para escorregar, uma de cada vez, dizendo a elas que o mais seguro era manter os braços colados ao corpo quando estivessem dentro.

Um dia, ele disse que um garoto gordo entrou no tubo, mas que não saiu do outro lado.

E sem perceber isso, enviou mais umas duas ou três crianças pra dentro. O garoto gordo havia ficado preso no tubo, e você deve estar imaginado que já que um ficou preso, as outras crianças também ficariam.

Não foi bem assim. Somente o garoto gordo desapareceu. Todo mundo saiu do outro lado, vibrando e espirrando água como se nada estivesse errado.

O salva vidas fechou o brinquedo por um instante, muito preocupado com o desaparecimento da criança dentro do tubo. Ele entrou e escorregou pelo brinquedo, e o garoto não estava lá dentro. Antes que ele pudesse chamar as autoridades para informar o desaparecimento... SPLASH! O gorducho finalmente saiu.

Os membros da equipe puxaram o garoto para fora da água. Ele afundou como uma pedra quando caiu na piscina, sua pele estava azul e os olhos arregalados. Tudo o que ele dizia era: "Crianças sem rosto" e "Pare de apertar".

O garoto estava bem fisicamente, caso você esteja se perguntando. Ele foi acarretado imediatamente ao centro médico. Quando o Salva-vidas pediu para abrir o tobogã pra saber o que havia acontecido lá dentro, ele foi ameaçado de demissão e relutantemente abriu o brinquedo novamente e voltou para seu trabalho de rotina.

Daquele momento em diante, ele ficou mais atento sobre as crianças. De vez enquanto eles saiam da fila, mas nunca algo tão sério como o caso do garoto gordo, mas sempre com um olhar de preocupação. Com o tempo tudo parecia ter sido algum sonho durante seu horário de almoço, mas ele só queria descobrir o que era realidade.

Eu li outros e-mails com relatos estranhos como esse. Eu queria que eles compartilhassem sua própria história, mas eles não queriam se expor dessa maneira. Não posso culpa-los.

A "Branca de Neve", que não era o verdadeiro papel dela no parque, era outro "personagem" do parque. Você sabe o que acontece quando um funcionário fantasiado cai morto dentro de sua fantasia?

Imagine só como deve ser... Uma hora, tirar uma foto com o pequeno Jimmy, e logo em seguida, sofrer um acidente vascular cerebral fatal?

Um segundo mascote fantasiado na área teve que senta-la no banco até outra pessoa assumir o posto, fazendo uma "limpeza a seco" e se livrando do corpo da forma mais discreta possível. Durante todo esse tempo, os clientes não faziam ideia de que estavam se sentando juntamente com um cadáver para tirar fotos.

Sinta-se livre para verificar os seus álbuns de fotos neste momento.

Isso foi ruim, mas um outro companheiro, que vou chama-lo de "Zelador", enlouqueceu completamente.

A Disney World (e provavelmente outras corporações), construíram uma série de túneis subterrâneos bem embaixo de seus pés. Vale a pena relatar três histórias. Tudo e qualquer coisa que você pode imaginar está lá embaixo, para uso dos funcionários.

Eles são chamados de Utilizadores. Corredores de utilidade.

Basicamente, essa é a razão que você não vê personagens fora do lugar ou zeladores vagando pelo parque.

Eles entram e saem de portas escondidas e viajam pela cidade subterrânea escondida.

Zelador me disse algo que poderia ser do conhecimento de qualquer pessoa, mas que mesmo assim foi novidade para mim.

Walt Disney teve vários apartamentos construídos em seus parques. Há um bem acima do Castelo da Cinderela... Outro em Piratas do Caribe. Eles estão em todos os lugares.

Mais do que isso, há boates, um cinema, uma pista de boliche, e muito mais. Tudo por trás de portas embutidas nas fachadas caprichosas que você provavelmente passou sem notar.

O Club 22 é uma dessas áreas escondidas. Se você tiver dinheiro o suficiente para se juntar ao clube exclusivo (pois é, você não tem), então terá acesso a ele e muito mais.

O Club 22 é um lugar onde vale tudo. A Corporação Disney chama esses lugares "Zonas Escuras". São pontos onde os personagens se trocam e dão lugar a bebidas, drogas e sim, sexo.

Também tem as "Zonas brancas" com poucos corredores de utilidade e as "Zonas Cinzas entre eles.

O Zelador também me disse que nem sempre foi assim. Foi mais pra um declínio lento e o abrandamento gradual das normas sociais dentro desse grupo de elite.

A razão pela qual ele sabe de tudo isso? Você já deve estar se perguntando... Sim, ele fez a limpeza desses lugares.

Depois de uma verificação de longos antecedentes e vários termos de confidencialidade, o zelador subiu de um atendente de parque para um membro da equipe de limpeza da zona escura.

Agora, antes de você imaginar alguma visão satânica de "sacrifício humano" na sua cabeça, não, Zelador não viu nada do tipo. Muitas garrafas vazias de álcool? Sim. Preservativos usados espalhados como desinflados balões de ano novo? Oh, sim. Ele limpou muitas quotas de sangue, urina e vômito. A única coisa que ele pensava era a quantidade de jovens baderneiros que usavam esses corredores.

Pelo menos, é assim que ele via em retrospecto.

Todo esse lixo, merdas profanas, entraram em um forno e se misturaram com a fumaça da chaminé de uma típica casa.

Se você já foi para a Disney World, você respirou pecado ultra condensado.

Reforçando essa informação, tem outro cara que vou chama-lo de "Hammer". Hammer me enviou à moda antiga, mas eu não sei bem como ele conseguiu o endereço da minha casa. Ele me mandou fotocópias de documentos provando seu emprego, e me instruiu a queimar quando estivesse convencido.

O que eu fiz de bom grado.

Hammer trabalhou ao redor do parque Disney World, fazendo a demolição e construção. Em um ponto, ele se aproximou conversou com seu superior em relação a alguns estranhos planos de construção.

Era uma ampla área retangular marcada nos projetos, do tamanho de um supermercado. Na área, foram deixadas somente as palavras "NÃO CAVE".

Ele não queria falar sobre isso, não queria saber sobre isso e terminou a conversa com "este espaço foi intencionalmente deixado em branco".

Hammer não entendeu. A área parecia um desperdício de espaço e entrou diretamente em conflito com o trabalho que sua equipe tinha designada. Ele começou a picar ao redor da área em suas folgas, encontrando apenas uma porta de aço abandonada e uma grande extensão de concreto logo depois.

Era um "vale do supermercado" do piso em branco, cinzento.

Logo depois, Hammer encontrou com os cadáveres usando as máscaras de gás.

Ao contrário de todos os outros relatos anteriores, as pessoas... ou melhor, as "coisas" que estavam usando as mascaras, estavam todas caídas, empilhadas e espalhadas pelo quarto. Centenas de cadáveres fracos, lesionados... Como cervos que foram presos e não conseguiam mais fugir.

As mascaras de gás tinham os rostos do personagem da Disney com filtros presos... Ele observou que elas pareciam molhadas por dentro, embaçados como uma janela de carro. Pequenas gotas de água brilhavam por trás do vidro, tornando-se impossível qualquer um enxergar através.

Indo mais longe, Hammer começou a fazer perguntas de todos aqueles que já trabalharam no parque por uma década ou mais.

Ele bateu impasses por toda parte, até que ele foi direcionado para Aida, uma mulher idosa que trabalhava em um restaurante na rua principal. Ela tinha estado lá desde o caminho de volta e embora ninguém tivesse a coragem de perguntar diretamente, todos sabiam ela tinha muitas histórias terríveis para contar.

Hammer perguntou sobre o espaço vazio, e em seguida, sobre os clientes mascarados. No começo ele pensou que iria receber um não sei como resposta. Ela estava quieta. Estranhamente quieta.

"Room Zero", ela resmungou, e em seguida colocou a mão em sua boca como se tivesse falado algo que não deveria ter dito.

Ela não olhou para o homem durante toda a conversa.

Room Zero (ou quarto zero) era mais outro quarto escondido, como os apartamentos e o Clube 22. Entretanto, seu tamanho e sua profunda mancha sob o parque está localizado para além de qualquer uma das zonas escuras de "diversão".

Era um abrigo contra bombardeio aéreo.

Room Zero foi construído para resistir a um ataque massivo, seja ele conduzido por inimigos estrangeiros ou nacionais.

A sala era abastecida com alimentos suficientes para o número médio da quantidade máxima de pessoas dentro do parque, e abrigava um quatro menor ainda conhecido como "quarto do pânico", para os superiores da Disney.

Durante a segunda guerra mundial, realmente máscaras de gás oficiais Disney foram produzidas para as crianças em caso de ataque. A ideia era que seria menos assustador para as crianças se o rosto de Mickey fosse estampado sobre o dispositivo de segurança em tempo de guerra.

Sim, eu sei os problemas óbvios com isso.

Durante o susto da guerra fria dos anos 60, quando foi construída a Disney World, a Room Zero foi abastecida com máscaras semelhantes também. Se eles não se preocupassem com os medos das crianças, ou apenas fossem insensíveis, talvez não tivesse acontecido aquilo lá embaixo.

Além do mais, algum gênio decidiu que as crianças não ficariam tão assustada com as máscaras de gás se seus pais as usassem... A assim, todas as máscaras, de adultos e crianças, foram feitas para cumprir com esta norma louca.

Aida o descreveu como "tratar uma ferida com suco de limão".

Nada disso explicava o que Hammer havia visto. Não só as aparências aparentemente sobrenaturais das pessoas, mas também o quarto esvaziado lá dentro.

- Eu estive lá - explicou ele - Só há um piso de cimento e quatro paredes na Room zero.

- Não - Aida abanou a cabeça e cobriu sua boca, abafando um soluço - Você esteve em cima da Room Zero. Aquilo foi planejado perfeitamente. Quando alguém descobrisse que houvesse um subsolo, iria vasculhar e encontrar aquele espaço vazio e nem imaginaria que existe outro saguão bem abaixo daquele.

Algo ou alguém soou o alarme, num dia em que a capacidade do parque estava no máximo. O aviso era claro. Eles estavam sofrendo um suposto ataque aéreo.

Os seguranças levaram todos para a Room Zero. Lá, eles foram ordenados a colocarem suas máscaras e acolherem-se durante o bombardeio.

Tudo estava calmo nos primeiros trinta minutos, exceto as crianças que choravam e os sussurravam assustadas. Ninguém queria morrer, então os pais eram gratos de alguma forma por esta estranha medida de segurança.

Então, alguém deu o primeiro grito.

- EI! - um homem gritou - Pare de me beliscar!

Uma onda de gritos começou a se alastrar na multidão, de uma parede à outra.

- QUEM ESTÁ CORRENDO? ACALMEM-SE! - Alguém gritou.

- Quem está rindo? Isso não tem graça!

- Ow! Quem pisou no meu pé?!

Apesar dos guardas de segurança pedindo para manterem a calma, a multidão ficou ainda mais agitada, até que, finalmente, depois de quase uma hora de loucura...

As luzes se apagaram.

Todos morreram.

O que veio em seguida só pode ser descrito como caos. No escuro, somente as paredes dos jovens e os gemidos dos adultos podiam ser ouvidos em um maciço, inchaço que sangrava os ouvidos de todos dentro daquela câmara de eco negra.

Um grupo de membros da equipe e alguns poucos funcionários conseguiram atravessar a porta, dispostos a enfrentar a guerra acima, ao invés da insanidade abaixo. O que eles encontraram, porém, foi um parque temático desolado, ainda intocado.

Não havia ataque nenhum. A música continuava a tocar, ecoando pela cidades de contos de fadas em silêncio.

Ao retornar à Room Zero, os poucos que ficaram no topo da escada aço que chumbo na escuridão se levantaram, não ouvindo nenhum sinal de batalha anterior. Havia apenas silêncio.

Aida desceu as escada, apesar da mendicância daqueles que deixou acima.

Ela alcançou as portas reforçadas, agora inundado na escuridão e ouvindo apenas o zumbido nos ouvidos.

Uma única voz saiu da escuridão. O eco tornou impossível dizer se a voz rouca, veio da parte de trás do abrigo ou se foi bem na frente de seu rosto.

-Feche a porta, querida. Você está deixando mais frio aqui dentro.

Dominada pelo terror, ela fez exatamente isso. Dentro de dias, a coisa toda... Abrigo, escadaria, tudo... estava coberto com os pés em cima de pés de cimento. Sistemas de ar e geradores acima de seu teto foram removidos, criando o grande espaço vazio.

- Eles ainda estão lá embaixo - Aida disse para Hammer - Com quem quer que fosse, de alguma maneira, eles não estão mortos.

Você pode notar que o único nome verdadeiro que usei foi o da Aida.

Infelizmente, ela faleceu logo após contar sua história. Queda acidental, supostamente, depois de sair da cama para acender a luz.

"Uma adoradora do seu antigo emprego", o jornal local publicou, devido as várias silhuetas do Mickey que foram encontradas em sua casa. Silhuetas que não estavam lá quando visitei o local após o acidente, e silhuetas que estão começando a aparecer em meu apartamento.
Leia Mais

Vísceras

quarta-feira, 6 de abril de 2016.
Inspire.

Inspire o máximo de ar que conseguir. Essa história deve durar aproximadamente o tempo que você consegue segurar sua respiração, e um pouco mais. Então escute o mais rápido que puder.

Um amigo meu aos 13 anos ouviu falar sobre “fio-terra”. Isso é quando alguém enfia um consolo na bunda. Estimule a próstata o suficiente, e os rumores dizem que você pode ter orgasmos explosivos sem usar as mãos. Nessa idade, esse amigo é um pequeno maníaco sexual. Ele está sempre buscando uma melhor forma de gozar. Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos osclientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.

Então, esse amigo compra leite, ovos, açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina.

Como se ele fosse para casa enfiar um bolo de cenoura no rabo.

Em casa, ele corta a ponta da cenoura com um alicate. Ele a lubrifica e desce seu traseiro por ela. Então, nada. Nenhum orgasmo. Nada acontece, exceto pela dor.

Então, esse garoto, a mãe dele grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para descer, naquele momento.

Ele remove a cenoura e coloca a coisa pegajosa e imunda no meio das roupas sujas debaixo da cama.

Depois do jantar, ele procura pela cenoura, e não está mais lá. Todas as suas roupas sujas, enquanto ele jantava, foram recolhidas por sua mãe para lavá-las. Não havia como ela não encontrar a cenoura, cuidadosamente esculpida com uma faca da cozinha, ainda lustrosa de lubrificante e fedorenta.

Esse amigo meu, ele espera por meses na surdina, esperando que seus pais o confrontem. E eles nunca fazem isso. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.

As pessoas na França possuem uma expressão: “sagacidade de escadas.” Em francês: esprit de l’escalier. Representa aquele momento em que você encontra a resposta, mas é tarde demais. Digamos que você está numa festa e alguém o insulta. Você precisa dizer algo. Então sob pressão, com todos olhando, você diz algo estúpido. Mas no momento em que sai da festa… enquanto você desce as escadas, então – mágica. Você pensa na coisa mais perfeita que poderia ter dito. A réplica mais avassaladora.

Esse é o espírito da escada.

O problema é que até mesmo os franceses não possuem uma expressão para as coisas estúpidas que você diz sob pressão. Essas coisas estúpidas e desesperadas que você pensa ou faz.

Alguns atos são baixos demais para receberem um nome. Baixos demais para serem discutidos.

Agora que me recordo, os especialistas em psicologia dos jovens, os conselheiros escolares, dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais os encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer… melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.

Outro amigo meu, um garoto da escola, seu irmão mais velho na Marinha dizia como os caras do Oriente Médio se masturbavam de forma diferente do que fazemos por aqui. Esse irmão tinha desembarcado num desses países cheios de camelos, onde o mercado público vendia o que pareciam abridores de carta chiques. Cada uma dessas coisas é apenas um fino cabo de latão ou prata polida, do comprimento aproximado de sua mão, com uma grande ponta numa das extremidades, ou uma esfera de metal ou uma dessas empunhaduras como as de espadas. Esse irmão da Marinha dizia que os árabes ficavam de pau duro e inseriam esse cabo de metal dentro e por toda a extremidade de seus paus. Eles então batiam punheta com o cabo dentro, e isso os fazia gozar melhor. De forma mais intensa.

Esse irmão mais velho viajava pelo mundo, mandando frases em francês. Frases em russo. Dicas de punhetagem.

Depois disso, o irmão mais novo, um dia ele não aparece na escola. Naquela noite, ele liga pedindo para eu pegar seus deveres de casa pelas próximas semanas. Porque ele está no hospital.

Ele tem que compartilhar um quarto com velhos que estiveram operando as entranhas. Ele diz que todos compartilham a mesma televisão. Que a única coisa para dar privacidade é uma cortina. Seus pais não o vem visitar. No telefone, ele diz como os pais dele queriam matar o irmão mais velho da Marinha.

Pelo telefone, o garoto diz que, no dia anterior, ele estava meio chapado. Em casa, no seu quarto, ele deitou-se na cama. Ele estava acendendo uma vela e folheando algumas revistas pornográficas antigas, preparando-se para bater uma. Isso foi depois que ele recebeu as notícias de seu irmão marinheiro. Aquela dica de como os árabes se masturbam. O garoto olha ao redor procurando por algo que possa servir. Uma caneta é grande demais. Um lápis, grande demais e áspero. Mas escorrendo pelo canto da vela havia um fino filete de vela derretida que poderia servir. Com as pontas dos dedos, o garoto descola o filete da vela. Ele o enrola na palma de suas mãos. Longo, e liso, e fino.

Chapado e com tesão, ele enfia lá dentro, mais e mais fundo por dentro do canal urinário de seu pau. Com uma boa parte da cera ainda para fora, ele começa o trabalho.

Até mesmo nesse momento ele reconhece que esses árabes eram caras muito espertos.

Eles reinventaram totalmente a punheta. Deitado totalmente na cama, as coisas estão ficando tão boas que o garoto nem observa a filete de cera. Ele está quase gozando quando percebe que a cera não está mais lá.

O fino filete de cera entrou. Bem lá no fundo. Tão fundo que ele nem consegue sentir a cera dentro de seu pau.

Das escadas, sua mãe grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para ele descer naquele momento. O garoto da cenoura e o garoto da cera eram pessoas diferentes, mas viviam basicamente a mesma vida.

Depois do jantar, as entranhas do garoto começam a doer. É cera, então ele imagina que ela vá derreter dentro dele e ele poderá mijar para fora. Agora suas costas doem. Seus rins. Ele não consegue ficar ereto corretamente.

O garoto falando pelo telefone do seu quarto de hospital, no fundo pode-se ouvir campainhas, pessoas gritando. Game shows.

Os raios-X mostram a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro de sua bexiga. Esse longo e fino V dentro dele está coletando todos os minerais no seu mijo. Está ficando maior e mais espesso, coletando cristais de cálcio, está batendo lá dentro, rasgando a frágil parede interna de sua bexiga, bloqueando a urina. Seus rins estão cheios. O pouco que sai de seu pau é vermelho de sangue.

O garoto e seus pais, a família inteira, olhando aquela chapa de raio-X com o médico e as enfermeiras ali, um grande V de cera brilhando na chapa para todos verem, ele deve falar a verdade. Sobre o jeito que os árabes se masturbam. Sobre o que o seu irmão mais velho da Marinha escreveu.

No telefone, nesse momento, ele começa a chorar.

Eles pagam pela operação na bexiga com o dinheiro da poupança para sua faculdade. Um erro estúpido, e agora ele nunca mais será um advogado.

Enfiando coisas dentro de você. Enfiando-se dentro de coisas. Uma vela no seu pau ou seu pescoço num nó, sabíamos que não poderia acabar em problemas.

O que me fez ter problemas, eu chamava de Pesca Submarina. Isso era bater punheta embaixo d’água, sentando no fundo da piscina dos meus pais. Pegando fôlego, eu afundava até o fundo da piscina e tirava meu calção. Eu sentava no fundo por dois, três, quatro minutos.

Só de bater punheta eu tinha conseguido uma enorme capacidade pulmonar. Se eu tivesse a casa só para mim, eu faria isso a tarde toda. Depois que eu gozava, meu esperma ficava boiando em grandes e gordas gotas.

Depois disso eram mais alguns mergulhos, para apanhar todas. Para pegar todas e colocá-las em uma toalha. Por isso chamava de Pesca Submarina. Mesmo com o cloro, havia a minha irmã para se preocupar. Ou, Cristo, minha mãe.

Esse era meu maior medo: minha irmã adolescente e virgem, pensando que estava ficando gorda e dando à luz a um bebê retardado de duas cabeças. As duas parecendo-se comigo. Eu, o pai e o tio. No fim, são as coisas com as quais você não se preocupa que te pegam.

A melhor parte da Pesca Submarina era o duto da bomba do filtro. A melhor parte era ficar pelado e sentar nela.

Como os franceses dizem, Quem não gosta de ter seu cu chupado? Mesmo assim, num minuto você é só um garoto batendo uma, e no outro nunca mais será um advogado.

Num minuto eu estou no fundo da piscina e o céu é um azul claro e ondulado, aparecendo através de dois metros e meio de água sobre minha cabeça. Silêncio total exceto pelas batidas do coração que escuto em meu ouvido. Meu calção amarelo-listrado preso em volta do meu pescoço por segurança, só em caso de algum amigo, um vizinho, alguém que apareça e pergunte porque faltei aos treinos de futebol. O constante chupar da saída de água me envolve enquanto delicio minha bunda magra e branquela naquela sensação.

Num momento eu tenho ar o suficiente e meu pau está na minha mão. Meus pais estão no trabalho e minha irmã no balé. Ninguém estará em casa por horas.

Minhas mãos começam a punhetar, e eu paro. Eu subo para pegar mais ar. Afundo e sento no fundo. Faço isso de novo, e de novo.

Deve ser por isso que garotas querem sentar na sua cara. A sucção é como dar uma cagada que nunca acaba. Meu pau duro e meu cu sendo chupado, eu não preciso de mais ar. O bater do meu coração nos ouvidos, eu fico no fundo até as brilhantes estrelas de luz começarem a surgir nos meus olhos. Minhas pernas esticadas, a batata das pernas esfregando-se contra o fundo. Meus dedos do pé ficando azul, meus dedos ficando enrugados por estar tanto tempo na água.

E então acontece. As gotas gordas de gozo aparecem. É nesse momento que preciso de mais ar. Mas quando tento sair do fundo, não consigo. Não consigo colocar meus pés abaixo de mim. Minha bunda está presa.

Médicos de plantão de emergência podem confirmar que todo ano cerca de 150 pessoas ficam presas dessa forma, sugadas pelo duto do filtro de piscina. Fique com o cabelo preso, ou o traseiro, e você vai se afogar. Todo o ano, muita gente fica. A maioria na Flórida.

As pessoas simplesmente não falam sobre isso. Nem mesmo os franceses falam sobre tudo. Colocando um joelho no fundo, colocando um pé abaixo de mim, eu empurro contra o fundo. Estou saindo, não mais sentado no fundo da piscina, mas não estou chegando para fora da água também.

Ainda nadando, mexendo meus dois braços, eu devo estar na metade do caminho para a superfície mas não estou indo mais longe que isso. O bater do meu coração no meu ouvido fica mais alto e mais forte.

As brilhantes fagulhas de luz passam pelos meus olhos, e eu olho para trás… mas não faz sentido. Uma corda espessa, algum tipo de cobra, branco-azulada e cheia de veias, saiu do duto da piscina e está segurando minha bunda. Algumas das veias estão sangrando, sangue vermelho que aparenta ser preto debaixo da água, que sai por pequenos cortes na pálida pele da cobra. O sangue começa a sumir na água, e dentro da pele fina e branco-azulada da cobra é possível ver pedaços de alguma refeição semi-digerida.

Só há uma explicação. Algum horrível monstro marinho, uma serpente do mar, algo que nunca viu a luz do dia, estava se escondendo no fundo escuro do duto da piscina, só esperando para me comer.

Então… eu chuto a coisa, chuto a pele enrugada e escorregadia cheia de veias, e parece que mais está saindo do duto. Deve ser do tamanho da minha perna nesse momento, mas ainda segurando firme no meu cu. Com outro chute, estou a centímetros de conseguir respirar. Ainda sentindo a cobra presa no meu traseiro, estou bem próximo de escapar.

Dentro da cobra, é possível ver milho e amendoins. E dá pra ver uma brilhante esfera laranja. É um daqueles tipos de vitamina que meu pai me força a tomar, para poder ganhar massa. Para conseguir a bolsa como jogador de futebol. Com ferro e ácidos graxos Ômega 3.

Ver essa pílula foi o que me salvou a vida. Não é uma cobra. É meu intestino grosso e meu cólon sendo puxados para fora de mim. O que os médicos chamam de prolapso de reto. São minhas entranhas sendo sugadas pelo duto.

Os médicos de plantão de emergência podem confirmar que uma bomba de piscina pode puxar 300 litros de água por minuto. Isso corresponde a 180 quilos de pressão. O grande problema é que somos todos interconectados por dentro. Seu traseiro é apenas o término da sua boca. Se eu deixasse, a bomba continuaria a puxar minhas entranhas até que chegasse na minha língua. Imagine dar uma cagada de 180 quilos e você vai perceber como isso pode acontecer.

O que eu posso dizer é que suas entranhas não sentem tanta dor. Não da forma que sua pele sente dor. As coisas que você digere, os médicos chamam de matéria fecal. No meio disso tudo está o suco gástrico, com pedaços de milho, amendoins e ervilhas.

Essa sopa de sangue, milho, merda, esperma e amendoim flutua ao meu redor. Mesmo com minhas entranhas saindo pelo meu traseiro, eu tentando segurar o que restou, mesmo assim, minha vontade é de colocar meu calção de alguma forma.

Deus proíba que meus pais vejam meu pau.

Com uma mão seguro a saída do meu rabo, com a outra mão puxo o calção amarelo-listrado do meu pescoço. Mesmo assim, é impossível puxar de volta.

Se você quer sentir como seria tocar seus intestinos, compre um camisinha feita com intestino de carneiro. Pegue uma e desenrole. Encha de manteiga de amendoim. Lubrifique e coloque debaixo d’água. Então tente rasgá-la. Tente partir em duas. É firme e ao mesmo tempo macia. É tão escorregadia que não dá para segurar.

Uma camisinha dessas é feita do bom e velho intestino.

Você então vê contra o que eu lutava.

Se eu largo, sai tudo.

Se eu nado para a superfície, sai tudo.

Se eu não nadar, me afogo.

É escolher entre morrer agora, e morrer em um minuto.

O que meus pais vão encontrar depois do trabalho é um feto grande e pelado, todo curvado. Mergulhado na água turva da piscina de casa. Preso ao fundo por uma larga corda de veias e entranhas retorcidas. O oposto do garoto que se estrangula enquanto bate uma. Esse é o bebê que trouxeram para casa do hospital há 13 anos. Esse é o garoto que esperavam conseguir uma bolsa de jogador de futebol e eventualmente um mestrado. Que cuidaria deles quando estivessem velhinhos. Seus sonhos e esperanças. Flutuando aqui, pelado e morto. Em volta dele, gotas gordas de esperma.

Ou isso, ou meus pais me encontrariam enrolado numa toalha encharcada de sangue, morto entre a piscina e o telefone da cozinha, os restos destroçados das minhas entranhas para fora do meu calção amarelo-listrado.

Algo sobre o que nem os franceses falam. Aquele irmão mais velho na Marinha, ele ensinou uma outra expressão bacana. Uma expressão russa. Do jeito que nós falamos “Preciso disso como preciso de um buraco na cabeça…”, os russos dizem, “Preciso disso como preciso de dentes no meu cu…”

Mne eto nado kak zuby v zadnitse.

Essas histórias de como animais presos em armadilhas roem a própria perna fora, bem, qualquer coiote poderá te confirmar que algumas mordidas são melhores que morrer.

Droga… mesmo se você for russo, um dia vai querer esses dentes.

Senão, o que você pode fazer é se curvar todo. Você coloca um cotovelo por baixo do joelho e puxa essa perna para o seu rosto. Você morde e rói seu próprio cu. Se você ficar sem ar você consegue roer qualquer coisa para poder respirar de novo.

Não é algo que seja bom contar a uma garota no primeiro encontro. Não se você espera por um beijinho de despedida. Se eu contasse como é o gosto, vocês não comeriam mais frutos do mar.

É difícil dizer o que enojaria mais meus pais: como entrei nessa situação, ou como me salvei. Depois do hospital, minha mãe dizia, “Você não sabia o que estava fazendo, querido. Você estava em choque.” E ela teve que aprender a cozinhar ovos pochê.

Todas aquelas pessoas enojadas ou sentindo pena de mim…

Precisava disso como precisaria de dentes no cu.

Hoje em dia, as pessoas sempre me dizem que eu sou magrinho demais. As pessoas em jantares ficam quietas ou bravas quando não como o cozido que fizeram. Cozidos podem me matar. Presuntadas. Qualquer coisa que fique mais que algumas horas dentro de mim, sai ainda como comida. Feijões caseiros ou atum, eu levanto e encontro aquilo intacto na privada.

Depois que você passa por uma lavagem estomacal super-radical como essa, você não digere carne tão bem. A maioria das pessoas tem um metro e meio de intestino grosso. Eu tenho sorte de ainda ter meus quinze centímetros. Então nunca consegui minha bolsa de jogador de futebol. Nunca consegui meu mestrado. Meus dois amigos, o da cera e o da cenoura, eles cresceram, ficaram grandes, mas eu nunca pesei mais do que pesava aos 13 anos.

Outro problema foi que meus pais pagaram muita grana naquela piscina. No fim meu pai teve que falar para o cara da limpeza da piscina que era um cachorro. O cachorro da família caiu e se afogou. O corpo sugado pelo duto. Mesmo depois que o cara da limpeza abriu o filtro e removeu um tubo pegajoso, um pedaço molhado de intestino com uma grande vitamina laranja dentro, mesmo assim meu pai dizia, “Aquela porra daquele cachorro era maluco.”

Mesmo do meu quarto no segundo andar, podia ouvir meu pai falar, “Não dava para deixar aquele cachorro sozinho por um segundo…”

E então a menstruação da minha irmã atrasou.

Mesmo depois que trocaram a água da piscina, depois que vendemos a casa e mudamos para outro estado, depois do aborto da minha irmã, mesmo depois de tudo isso meus pais nunca mencionaram isso novamente.

Nunca.

Essa é a nossa cenoura invisível.

Você.

Agora você pode respirar.

Eu ainda não.
Leia Mais

As Longas Pernas de Meu Pai

terça-feira, 3 de novembro de 2015.
Minha família vivia no sul de uma certa cidade industrial, em uma casa tão antiga que seu porão ainda tinha um chão de terra.

Eu não tinha idade suficiente para questionar abertamente os comportamentos de um parente, mas certamente tinha idade o bastante para perceber que havia algo muito estranho quando meu pai começou a cavar.

Eu tenho apenas uma memória completamente lúcida da época anterior à situação ficar alarmante, e meu pai se abstendo da luz solar para sempre.

Estou sentando no fim das escadas de madeira que levam ao nosso porão. À frente, na escuridão, meu pai está, da cintura pra baixo, dentro do buraco.

Ainda em seu uniforme azul marinho que usava na fábrica, escurecido pelo calor das máquinas e ainda mais escuro agora pela terra...

Assisti meu pai com a satisfação de uma criança que vê em seu pai um grande poço de força e sabedoria.

Na cozinha, minha mãe grita que o jantar está pronto.

Meu pai tira uma última pá de terra, e - em um único movimento - sai do buraco com enorme rapidez, em seguida passando ao meu lado e seguindo pelas escadas.

Ele sempre foi um homem alto, magro, e ainda hoje eu consigo ver a imagem das longas pernas de meu pai passando por cima de mim quando ele emergiu do buraco que passaria anos escavando em nosso porão.

Afora meu pai, éramos três: minha mãe, meu irmão mais novo, e eu.


-----------------------------------------------------------------------------------------------------

Há muito sobre minha mãe que eu não entendo.

Ela mesma me disse que achou meu pai atraente por ele ser uma pessoa completamente incomum.

Ele havia chegado naquela cidade e conseguido um emprego na mesma fábrica em que minha mãe trabalhava.

Embora fosse um homem prático, ele lia constantemente e de maneira voraz. Do conserto de máquinas até filosofia, ele lia de tudo. Um hábito adquirido, de acordo com o próprio, de seus pais.

Isso era tudo que ele nos dizia sobre sua família. Qualquer outra pergunta do assunto faria com que ele saísse rapidamente da sala ou que começasse a falar de outro assunto.

Uma vez, minha mãe disse que achava que ele fugiu de casa.

Fossem quais fossem seus motivos para abandonar sua antiga família, meu pai não esperou muito para criar uma nova.

Nasci apenas alguns meses após o casamento de meus pais.

Alguns anos depois, meu pai estava ganhando o suficiente para que minha mãe pudesse ficar em casa e tomar conta de mim e, não muito depois, meu irmão.

Então, uma noite, quando meu irmão tinha apenas um ano, meu pai chegou em casa, tirou uma pá novinha em folha de sua caminhonete, e desceu para o porão, onde começou a cavar.

Num primeiro momento ele disse à minha mãe que estava preparando o lugar para fazer um piso de cimento, sugerindo o início de uma completa (ou parcial) renovação da casa.

Eu era apenas uma criança, e as ações dos adultos ainda eram um grande mistério pra mim. Logo, não sei em que momento minha mãe percebeu que isso era mentira.

Tampouco sei o que aconteceu quando meu pai chamou minha mãe para o porão onde discutiram o assunto. A porta foi trancada uma vez que entraram lá, e eu e meu irmão ficamos sozinhos em casa.

Meu irmão chorou a noite toda, enquanto eu deitei em minha cama, os travesseiros apertados contra minhas orelhas.

No dia seguinte minha mãe reapareceu. Cuidou da casa, preparou a comida, e então se trancou no quarto logo depois que meu pai voltou do trabalho e recomeçou a cavar.

Meu pai, por sua própria decisão, parou de dormir no quarto, e começou a dormir no porão, uma decisão que coincidiu com o início de sua terrível metamorfose.

Foi tudo lento, porém perceptível. Ele começou a ficar pálido, e quando a fábrica fechou e ele pôde passar todos os dias no porão, ele estava tão branco quanto giz.

Talvez fosse o estado de suas roupas e o tom de sua pele que tenham causado essa impressão, mas ele parecia cada vez mais alto, como se seu tamanho estivesse ficando proporcional ao de seu projeto no subsolo de nossa casa.

Enquanto isso, minha mãe colocou meu irmão na pré-escola e me enviou para uma espécie de creche enquanto trabalhava para poder sustentar a casa. No que parecia o perfeito contraste de meu pai, ela foi ficando mais escura, e cada vez menor.

Meu pai cavava sem parar havia pelo menos uma década, e quando comecei o ensino médio, ele não saía mais do porão nem mesmo para jantar conosco.

E então minha mãe o deixou.

Meu pai estava absorvido demais em sua tarefa para repetir as discussões de minha infância - qualquer desejo que ele tivesse de continuar conosco aparentemente havia se perdido nas profundidades daquele buraco.

Minha mãe, aos poucos, foi voltando ao normal. Ela falava mais, ria muito mais. Ela teve amigos e namorados.

Não vimos nosso pai uma única vez depois que saímos de lá.

No dia que saímos de lá em definitivo ele nem mesmo saiu do porão, embora agora houvessem dúvidas quanto a sua capacidade de passar pela porta, pois ele estava incrivelmente alto.

Apenas muitos anos depois meu irmão sugeriu que voltássemos para visitar a casa do nosso pai.

Não é preciso dizer que meu irmão e eu tivemos experiência diferentes de nossa infância ali.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------

Meu irmão era novo demais quando meu pai começou a escavar, e aquilo lhe pareceu algo "normal" da vida.

Parecia óbvio pra mim que algo estava errado com nossa casa. O erro era gritado, eu pensava, pelo modo como minha mãe andava pela casa, preparando a comida, e se trancando no quarto.

O erro era gritado, é claro, por meu pai, que após perder seu emprego na fábrica passava dias inteiros no porão, saindo em horários irregulares para comer e usar o banheiro. (Sem falar nas mudanças físicas que aconteceram conforme o tempo passava).

O erro era gritado pelos meus atos, pela preocupação enorme que eu sentia de que em algum momento o frágil equilíbrio da casa seria quebrando e os amigos de meu irmão descobririam a terrível verdade de nossa família - uma situação que eu não podia articular direito, mas que me encheria de preocupação caso alguém de fora pudesse.

Meu irmão, sendo tão novo, não via nada de errado em convidar seus amigos para nossa casa, e até mesmo levava alguns para o subsolo para ver o que ele chamava - após ouvir nosso pai dizer isso, eu acho - "as renovações".

Os amigos nunca retornavam ao porão após serem levados por meu irmão. Outros se recusavam até mesmo a retornar para nossa casa - um alívio para mim, mas uma decepção para meu irmão.

Lembro de uma ocasião, quando ele provavelmente tinha sete anos, em que um de seus colegas fez uma cena.

Acho que aquela criança vinha de uma família religiosa, o que pode ter sido parte do problema, mas isso posse ser algo que eu creio ser verdade apenas por conta de meus preconceitos.

Mesmo tendo uma mentalidade muito distinta da minha, o garoto pelo menos partilhava de minhas preocupaçãoes quando ele tentou explicar a meu irmão que o projeto de nosso pai no subsolo era bastante anormal.

Saí da sala porque eu ouvi um choro vindo do porão. Eu sabia que meu irmão tinha trazido um amigo, então estava me preparando para o pior.

Os dois garotos estavam parados à porta do porão, que ainda estava aberta. Meu irmão olhou pra mim quando me aproximei, sem saber como consolar seu amigo.

"Você vai para o inferno", nosso visitante me disse, assim que ele olhou pra mim.

"É isso que ele está escavando aí em baixo", o garoto disse, olhando de mim para meu irmão. "Ele está cavando para o inferno, e vocês todos vão com ele".

Meu irmão parou de levar tantos amigos para nossa casa, e não creio que tenha convidado um único deles para ver "as renovações" outra vez.

"Nós vamos mesmo para o inferno?" ele me perguntou uma noite, deitado ao meu lado após um pesadelo.

Eu disse que não sabia.

"Mas é pra lá que papai está cavando?", ele perguntou.

Eu disse que não existia nenhum lugar assim.

"Então por que papai está cavando?"

No começo, quando eu sentava nas escadas e observava seu trabalho, meu pai me dava diferentes motivos para seu estranho projeto: procurando ossos de dinossauros, aumentando o porão para criar um quarto extra, procurando um tesouro enterrado, procurando petróleo, a suspeita de que uma corrente estava fluindo por baixo da casa.

Agora nenhuma de suas desculpas funcionava, e quando perguntado sobre o que estava fazendo - o que, de acordo com meu irmão, foi o que o garoto religioso fez - ele tinha outras coisas para dizer.

"Esse não é o mundo real", meu pai disse, ou algo parecido com isso.

"O que nós achamos que é o mundo real é só uma camada de poeira em torno do verdadeiro núcleo do universo. E o que é poeira? Matéria inerte! Peso morto! As sobras daqueles que vieram e se foram antes de nós, algo apenas para nos afastar cada vez mais da verdadeira criação. Houve um tempo em que os homens eram gigantes caminhando por uma Terra pequena, mas agora a Terra cresceu e inchou, enquanto nós encolhemos. Começando aqui, eu estou removendo esse sedimento, nossa inmundície coagulada, e retornando para nossa glória original".

Lembro desse manifesto apenas de cabeça, depois de várias variantes que meu pai recitou ao longo dos anos, e certamente foi isso que ofendeu o amigo de meu irmão.

Ainda assim, não havia resposta satisfatória, e menos ainda para meu irmão, enquanto ele se encolhia de medo do inferno, em minha cama.

Mas eu certamente não tinha uma única resposta a oferecer, e deixei que o assunto morresse em silêncio.

Talvez por isso que, após todos esses anos, ele me convidou para ir com ele de volta para a casa de nosso pai.

É verdade que minhas experiências foram fundamentais na minha decisão.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------

Um ano antes de saírmos de lá, fui ao porão pela última vez.

Meu irmão estava com seus amigos. Havia atingido a idade que fazia com que percebesse o quanto aquilo tudo era estranho e pertubador para visitantes, e minha mãe já estava trancada no quarto, provavelmente dormindo.

Meu pai estava, é claro, escavando o porão, e eu estava fazendo meu dever de casa enquanto assistia TV.

Ouvi alguém bater na porta.

Ao abrir a porta, vi um homem atarracado, mas muito bem vestido, de terno, gravata e chapéu. Um par de óculos bem pequeno estava apoiado na ponta de seu nariz, e parecia minúsculo em seu rosto enorme e redondo.

"Olá, minha jovem", ele me disse em uma voz rebuscada. "Seu pai está em casa agora?"

"Quem é você?" eu perguntei.

O homem ajeitou o chapéu, sorrindo para mim. "Você não tem motivo para me conhecer, é claro" ele disse, "mas eu sou seu tio".

Deixei o homem esperando na porta e fui procurar minha mãe. Mas ela não respondia, o que era normal naqueles tempos.

Isso me deixava uma única opção: procurar meu pai.

Ele não respondeu quando eu abri a porta e o chamei, embora eu pudesse ouvir o som débil e distante de sua escavação.

Olhei para a porta e vi, através do vidro translúcido na porta, a figura do homem que dizia ser meu tio. Desci pelas escadas de madeira até o porão.

A única luz, como sempre, era de uma única lâmpada pendendo do teto.

Meu pai havia se acostumado a trabalhar naquelas condições, mas para mim, a pouca iluminação tornava aquele labirinto extremamente confuso, onde os caminhos de terra e as sombras pareciam não ter grande diferença entre si.

Meu pai havia tentado cavar em linha reta, mas conforme os anos passaram ele reelaborou seus planos, desviando do centro do porão em pelo menos quatro metros e meio.

Dali ele começou a escavar o porão em um longo caminho em espiral, enroscado e torcido em torno de si mesmo como uma víscera de tamanho monstruoso, enquanto continuava marchando para baixo.

Parei no último degrau da escada de madeira que, pelo que eu pensava, ainda era parte da nossa casa.

A meus pés estava uma pilha de livros estranhos. Eram velhos, com capas brancas porém manchadas de marrom. Ao lado havia um chocalho bastante antigo, cheio de sujeira, e diversas pedras trabalhadas em formas incomuns mas que lembravam, de longe, instrumentos de trabalho.

Me virei para aquele vazio e chamei meu pai novamente.

Não houve nenhuma resposta, mas eu tinha certeza de que podia ouvir, embora distante, o som do escavamento.

Chamei novamente, e dessa vez expliquei os motivos. "Tem um homem aqui na porta!" eu disse. "Ele disse que é meu tio".

Esperei, e então o som do escavamento parou.

Um minuto depois, meu pai emergiu. Sua pele estava pálida, coberta apenas por sua roupa completamente rasgada e sujo da cabeça aos pés - incluindo até mesmo sua boca, que parecia bem mais escura.

"Seu tio", ele murmurou, sem perguntar nada. "Meu irmão".

Acenei com a cabeça.

"Traga-o aqui", ele ordenou.

O homem atarracado - meu tio, que pelo que me lembro cheirava a leite azedo - parecia exultante.

Levei-o até o porão, sua agitação crescendo até que ele viu meu pai, que agora estava incrivelmente alto (acho que ele estava com pelo menos 2,40 metros de altura ) e parado na "entrada" de seu túnel.

Eu sabia que devia sair, e conforme subi as escadas eu ouvi o visitante dizer que meu pai estava fazendo "um ótimo trabalho" para si mesmo, "considerando todas as circunstâncias".

Nunca mais vi esse homem que dizia ser meu tio, nem nesse nem em nenhum outro dia.

Talvez não por coincidência, essa é a última memória que eu tenho de meu pai, e foi a que retornou com tudo para minha mente quando meu irmão, muitos anos depois, sugeriu que voltássemos para a casa de nosso pai.

Parecia que meu irmão queria visitá-lo por puro desencargo de consciência, já que nosso pai estava sozinho há anos.

Por um lado, eu apreciava a preocupação de meu irmão, mesmo parecendo deslocada. Por outro, eu sabia que não podia pará-lo. Seus sentimentos quanto a nosso pai eram brandos.

A única dúvida era: eu iria com meu irmão, ou deixaria que ele fizesse a visita sozinho?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------

Decidimos ir em um dia marcado para nossa antiga casa, onde achávamos que nosso pai ainda vivia, e nos encontraríamos dali a uma semana pela tarde.

Mas deve ter ocorrido algum engano.

Cheguei tarde.

Eu devo ter me atrasado - a única outra possibilidade seria a de meu irmão ter chegado mais cedo por algum motivo, para ver nosso pai antes de mim.

E eu não quero nem pensar por que ele teria feito isso.

A cidade estava menos industrial do que costumava ser, embora ainda houvesse um toque das indústrias no ar e na água. A velha vizinhança, que mesmo nos velhos tempos nunca foi abundante, havia caído em desgraça ainda maior.

As casas estavam caindo aos pedaços e, aparentemente, vazias. As calçadas tinham protuberâncias causadas pelas raízes de antigas árvores que ainda resistiam.

A única evidência de habitação era um carro. O carro de meu irmão, estacionado na frente de nossa velha casa.

As portas estavam trancadas, os vidros fechados. Ao tocar o capô, notei que não estava quente, mas fora isso eu não tinha como saber quanto tempo o carro ficou sem assistência.

À minha frente, a casa esperava.

Não parecia diferente do resto dos prédios.

As janelas haviam sumido, até mesmo as molduras haviam sido levadas, e a varanda estava destroçada, com uma poça de água da chuva.

A porta da frente estava aberta em um certo ângulo, sua dobradiça inferior quebrada ao meio.

Com cuidado, entrei e me vi na antiga sala de estar.

O chão estava cheio de lixo e pedaços da casa caídos do teto. A televisão havia sumido, mas ainda havia um espaço mais claro no papel de parede indicando onde ela ficava. O sofá agora era uma pilha de fungos e mofo.

Eu pude ver que a porta que levava ao porão havia sido completamente removida.

Chamei meu irmão e esperei por um momento, olhando para a mais completa escuridão.

É claro que não havia mais luz. Provavelmente desligaram tudo anos atrás.

Mas uma lanterna estava caída exatamente na entrada do porão.

Seria de meu irmão?

Era quase nova. Liguei-a e apontei para o porão, mas não era possível ver mais do que o fim da escada.

Chamei meu irmão novamente, e esperei.

Ainda não havia nenhuma resposta.

Presumindo que o porão ainda era exatamente como da última vez que eu tinha visto, meu irmão podia ter muito bem se machucado se ele tivesse descido as escadas sem a lanterna.

Ele podia estar caído ali, pouco depois da escada, inconsciente.

Eu tinha que ter certeza.

Com a lanterna pronta, desci para o porão.

Os degraus estalaram aos meus pés.

Cheguei ao fim da escada,

e quando a lanterna não pôde iluminar muito mais do que um declive indo cada vez mais para as profundezas da casa,

eu soube que meu pai havia feito um trabalho significativo na última década.

Eu desci.

Eu chamei meu irmão outra vez.

Virei à direita.

O cheiro mofado de terra encheu minhas narinas.

Ao meu redor não havia nada além de escuridão.

Continuei andando.

Chamei meu irmão outra vez, e não houve resposta.

O caminho se dividia agora, esquerda e direita.

Segui o som de escavamento.

Os caminhos que meu pai havia escavado pela terra se dividiam em todas as direções possíveis.

Ainda não havia sinal de meu irmão.

Ao longe, o som continuava, como se quem estivesse escavando não soubesse que eu estava ali - ou não ligasse.

Onde estava meu irmão?

Eu virei à direita.







Eu não encontrei meu irmão.

Eu não sei o que dizer para nossa mãe. Eu não sei o que fazer, para onde ir.

É verdade que eu desisti de minha busca, mas quando eu vi o que vivia ali, ou melhor, o que havia crescido ali, eu corri pra fora do porão.

Por pura sorte, ou talvez por destino, eu saí da escuridão, embora meu irmão não tenha conseguido.

Há uma chance, eu acho, de que ele esteja vivo.

Minha culpa é enorme, não duvide disso.

Mas ela é englobada pelo medo que eu senti quando fiquei frente a frente com o terrível resultado da tentativa de meu pai de restaurar um mundo apodrecido.

Uma vez eu disse a meu irmão que não existia inferno.

Ainda acho que isso é verdade.

Mas onde quer que meu irmão esteja agora...


Será que agora ele está tão alto quanto nosso pai?


                                                                                                                             FONTE
Leia Mais

TOP 10 Melhores Creepypastas

domingo, 18 de outubro de 2015.
( Sei que eu andei meio sumida >_<' é que tá meio difícil de organizar tempo agora )

Mas , ok Tenebres voltei ! E já que Outubro é o mês do Terror , trago pra vocês um Top 10 Melhores Creepypastas na minha opinião espero que gostem ! *~~*




1 - A Casa Sem Fim 

2 - Evaporação - 

3 - Candle Cover

4 - Jeff The Killer

5 - 1999

6 - O Ovo

7 - Você Consegui Escuta - lo ?

8 -  A Lenda de Peak os Lonlyness 

9 - Experiência Sono da Russia

10 - A Tulpa 
Leia Mais

A Tulpa

sábado, 29 de agosto de 2015.
Ano passado eu gastei mais ou menos seis meses em algo que podia se chamar "projeto psicológico". Estive procurando no jornal local anúncios de emprego e achei um convidando pessoas criativas que estivessem procurando por um dinheiro fácil. Bem, a partir do momento em que aquele era o único para o qual eu estava relativamente qualificado, liguei para o número do anúncio e arrumei uma entrevista.

Me disseram que tudo que eu precisava fazer era ficar parado, sentado em uma sala, sozinho, com sensores colocados em minha cabeça para ler atividade cerebral, e enquanto eu estivesse lá, eu visualizaria uma duplicata de mim mesmo que eles chamaram de minha "tulpa".

Parecia bem fácil, eu concordei quando disseram quanto iam me pagar. No dia seguinte, comecei. Me levaram para uma sala simples com uma cama e colocaram sensores na minha cabeça, sensores que estavam ligados a uma pequena caixa preta em uma mesinha ao meu lado. Eles falaram comigo sobre eu visualizar minha duplicata de novo. Eu expliquei a eles que era chato, e eu ficava impaciente, invés de me mexer, eu deveria ver minha duplicata se mexendo e tentar interagir com ela e assim por diante. A idéia era manter ele comigo o tempo todo em que eu estivesse na sala.

Eu tive uns problemas nos primeiros dias. Era muito mais difícil do que qualquer experiência extra corpórea que eu já houvesse feito. Eu imaginava e visualizava minha duplicata por alguns minutos e então me distraia. Pelo quarto dia, eu já conseguia manter ela por mais ou menos 6 horas por perto. Me disseram que eu estava indo muito bem.

Na segunda semana me colocaram em uma sala com auto-falantes acoplados nas paredes. Me disseram que gostariam de ver se eu conseguia manter a tulpa mesmo com estímulos para me distrair. A música era bem desordenada, feia, inaudível e fazia o processo ser mais difícil, mas eu consegui de qualquer modo. Na semana seguinte, eles tocaram uma música ainda mais insuportável, piorada com loops, distorções, microfonias e algo que pareciam serem vozes guturais falando em idiomas estrangeiros. Eu só ria daquilo, já tinha me tornado profissional em manter a tulpa.

Comecei a ficar entediado com o passar dos dias. Para animar as coisas, comecei a interagir com minha cópia. Conversávamos, jogávamos jo-ken-po, e eu imaginava-o dançando break dance ou qualquer coisa que eu julgasse engraçado. Perguntei aos doutores se aquilo atrapalharia os estudos, mas eles só me encorajavam a continuar.

Então brincávamos e conversávamos e foi divertido até que as coisas começaram a ficar estranhas... Um dia eu estava contando a ele sobre meu primeiro encontro e ele me corrigiu, dizendo que a garota estava vestindo uma camisa amarela, e não uma verde. Pensei no que ele disse por um momento e notei que ele estava certo. Isso me assustou um pouco, e após o expediente eu falei com os pesquisadores sobre aquilo. "Você está usando ele como forma de chegar ao seu subconsciente", eles explicaram. "Você sabia em algum lugar que estava errado, então se subconsciente lhe auto-corrigiu".

O que era assustador se tornou divertido! Eu podai consultar meu subconsciente e revirar memórias passadas muito facilmente. Minha tulpa podia citar páginas inteiras de livros que eu havia lido anos atrás e se lembrar de coisas que eu havia aprendido no ensino médio e já havia esquecido. Era incrível.

Com o tempo, comecei a levar minha duplicata para fora do centro de pesquisas. No começo tive medo mas então me senti a vontade de sempre que me entediava, o trazia e passava o tempo. Então comecei a trazê-lo tanto que começou a parecer estranho não tê-lo por perto. Levava-o quando saia com amigos, quando ia a casa da minha mãe, e até levei ele uma vez para um encontro, e uma vez que não precisava falar em voz alta com ele, eu podia manter conversas sem que ninguém soubesse.

Eu sei que pode soar estranho, mas era divertido. Além de ser minha subconsciência e memória sempre ao meu dispor, estava começando a ficar mais atento do que eu mesmo as coisas ao meu redor, notando detalhes e sinais de linguagem corporal que eu não percebia. Por exemplo, nesse encontro em que o levei, eu pensei que as coisas estavam indo mal a beça, até que ele me apontou sinais de que ela estava rindo demais de minhas piadas e estava dando muitas chances para que eu falasse algo a mais, então eu realmente notei e escutei o que ele dizia e vamos apenas dizer que o encontro se saiu muito bem.

Quando fizeram 4 meses em que eu estava no centro de pesquisas, ele estava comigo constantemente. Então os pesquisadores vieram até mim e pediram para que eu parasse de visualizá-lo. Eu me neguei, e isso agradou eles. Eu silenciosamente perguntei a minha duplicata o que deveria ter trazido essa idéia e ele simplesmente deu de ombros. Eu também.

Eu me retive um pouco do mundo naquela época. Estava tendo problemas em conviver com as pessoas. Parecia muito que elas não sabiam ou estavam confusas sobre o que falavam, enquanto e tinha uma manifestação de mim mesmo para consultar. Fez com que socializar ficasse estranho. Ninguém parecia ciente do que fazia elas ficarem bravas ou alegres, não apreciam saber a razão por trás de tudo. Eu sabia. Ou pelo menos podia perguntar a mim mesmo.

Um amigo que confrontou em uma tarde. Ele socou a porta até eu abrir e caiu como uma tempestade em mim, raivoso. "Você não atendeu o telefone por duas semanas seu porra!" Gritou. "Qual é a porra do teu problema?"

Eu ia pedir desculpas e provavelmente iria com ele a um bar naquela. Mas então minha tulpa ficou furiosa. "Bata nele", ela disse, e antes que eu soubesse o que estava fazendo, eu soquei ele. Ouvi seu nariz quebrar. ele caiu no chão e se levantou balançando, e batemos um no outro até arrebentar meu apartamento. Eu nunca estive tão furioso quanto naquele momento, e não tive piedade. Derrubei-o no chão e dei dois pontapés nas costelas, e foi ai que ele fugiu, machucado e choramingando.

Em alguns minutos a polícia chegou, e eu aleguei auto-defesa, e uma vez que ele não estava lá para se defender, a polícia me deixou com uma advertência e foi embora. Minha tulpa estava animada o tempo todo, e passamos a noite falando sobre a briga e sobre como eu dei uma bela surra no meu amigo.

Na manhã seguinte vi meu olho roxo e meu corte no lábio, e lembrei do que havia ocorrido para iniciar a briga. Minha duplicata é que havia se irritado, e não eu. Eu bati em um amigo chateado e me senti bem por isso. Tive vergonha e me senti culpado. A tulpa estava presente, é claro, e sabia meus pensamentos. Então disse: "você não precisa dele". "Você não precisa de mais ninguém". Me arrepiei.

Contei aos pesquisadores tu que se passara e eles apenas riram de mim, dizendo que eu não podia ter medo de algo que eu estava imaginando. Minha tulpa apenas balançou a cabeça e sorriu para mim.

Tentei considerar aquelas palavras seriamente e não ter medo, mas a tulpa estava realmente me incomodando com seu sorriso constante e malicioso, e não havia emprego no mundo que valesse minha sanidade. Evitava olhar ou me concentrar nele, mas sempre que olhava ele estava com os olhos rápidos e mais tenso, então comecei a tentar fazê-lo sumir. Nos primeiros dias foi bem difícil, mas finalmente conseguia manter ele longe por umas horas, mas cada vez que voltava, estava pior e pior, mais tenso, mais alto e ameaçador, com os olhos mais fundos, a pele mais acizentada, os dentes mais pontudos. E cada vez em que ele voltava, aquela música destonada que em faziam ouvir, voltava com ele. Quando estava e casa, tetando relaxar e cochilar, não mais me concentrando nele, ele aparecia, e o barulho agudo junto dele.

Ainda visitava o centro de pesquisas naquela época, e estava fazendo meu trabalho pelas próximas 6 horas, precisava do dinheiro, e achava que eles não haviam percebido que eu não estava mais visualizando minha tulpa constantemente. Eu estava errado. Dentro de pouco tempo, dois homens me seguraram e me contiveram e alguém com uma jaleco médico aplicou uma injeção hipodérmica em mim.

Acordei de meu torpor preso em minha cama, com a música tocando e minha tulpa sobre mim. Ele mal se parecia mais com um humano. Tinha os olhos afundados até as órbitas, os dedos longos e deformados, era muito mais alto que eu, porém corcunda. Ele era, em suma, assustador pra caralho. Tentei me concentrar em não vê-lo, mas não conseguia me concentrar. Ele riu e deu um tapinha na intra-venosa em meu braço. Eu lutei contra as amarras da melhor maneira que pude, mas mal pude me mover.

"Eles estão te enchendo com aquela merda, eu acho. Como vai a cabeça? Tudo confuso?" Ele chegava mais e mais perto conforme falava. Tive náuseas, seu hálito era como carne passada. Me concentrei muito, mas não era capaz de baní-lo.

As próximas semanas foram terríveis. Quase sempre entrava alguem em um jaleco e me injetava algo ou me forçava a engolir uma pílula. Me mantiveram tonto e inconsciente, e as vezes me mantinham alucinado e tendo visões. Minha tulpa estava lá, o tempo todo, zombando. Ele interagia, ou talvez até fosse o motor das minhas alucinações. Cheguei a alucinar que minha mãe veio me visitar, me abraçando e chorando, e então ele cortava a garganta dela e me banhava em seu sangue. Foi tão real que pude sentir o gosto.

Os médicos nunca falavam comigo. Eu implorava, gritava, pedia em grunhidos e nada. Mas falavam com minha tulpa. Ao menos eu acho... estava tão dopado e alucinado que não sei dizer, mas comecei a me convencer de que ele era real e eu era a cópia. Algumas vezes ele encorajava essa linha de pensamento, outras vezes ria de mim.

Então, um dia, enquanto ele me contava uma história de como ia degolar todos que eu amava, começando por minha irmã, ele parou, um ar tenso cruzou seu rosto e ele colocou a mão em minha testa, como minha mãe fazia para saber se eu estava febril. Ficou parado por um bom tempo e sorriu. "Todos os pensamentos estão criativos", ele me disse, então saiu pela porta.

Após três horas vieram a meu quarto e me injetaram algo muito forte, de modo que desmaiei, e quando acordei, estava deitado, desamarrado e livre. Levantei, corri até a porta e estava destrancada. Abri e corri por um longo corredor vazio, abri outra porta e tropecei escadas a baixo até a porta dos fundos do prédio. Desmaiei de novo, devido a dor, gritando feito uma criancinha. Sabia que deveria continuar correndo, mas não conseguia.

Cheguei em casa, de algum modo. Tranquei a porta e coloquei um armário na frente.Tomei um longo banho e dormi por um dia e meio. Ninguém veio a minha casa naquele dia, nem no seguinte, nem no próximo nem no outro, por uma semana me mantive naquele quarto. Havia acabado. Pareceu um século. Eu havia tirado tanta coisa da minha vida que ninguém se importo com o fato de eu estar desaparecido.

A polícia não achou nada. O centro de pesquisas estava vazio quando investigaram. A documentação foi inútil e os nomes que eu dei não resultaram em nada. Até o dinheiro que eu havia recebido era irastreável.

Eu me recuperei o máximo que pude. Não saio muito de casa, e quando saio, tenho ataques de pânico. E choro. Choro muito. Não durmo muito, e meus pesadelos são horríveis. Acabou, tento me convencer, eu sobrevivi. Uso as técnicas de concentração que aqueles bastardos me ensinaram, e até que funciona um pouco.

Não hoje. A três dias, recebi uma ligação de minha mãe. Uma tragédia havia ocorrido. Minha irmã havia sido a última vítima de uma série de assassinatos, dizia a polícia. O assassino sangra as vítimas, então as degola.

Houve o funeral essa tarde, o mais bonito que se pode imaginar, eu suponho. Eu estive um pouco distraído. Não conseguia pensar direito ouvindo uma música muito baixa, com estática, distorção, sem tom e com microfonia, vindo de longe. Ainda estou ouvindo - mais alto agora.
Leia Mais

Porque Você Não Me Matou ?

quarta-feira, 22 de julho de 2015.
Olá, meu nome é Amanda, tenho 14 anos, sou vocalista de uma banda pouco conhecida. Fazem seis anos que me mudei e desde esse dia, não fico mais em paz.

Toda noite, em meus sonhos, vejo uma mulher a uns 4 metros de distância, não consigo ver seu rosto, só sei que seus cabelos são loiros e usa um casaco branco com manchas de sangue. Ela fala "Por quê você me matou?" E simplesmente eu acordo quando ela para de falar. Hoje quando acordei, tinha uma nota na parede do meu quarto , estava escrito "Por quê você me matou?" Estava em todos lugares: no carro, na escola,no banheiro, no ginásio, até na garagem dos ensaios.
O medo e a loucura tomavam conta de mim. Como isso é possível? Não era só um sonho? Passei vários dias sem dormir e sem ir à escola, estava em pânico, com medo de dormir e nunca mais acordar, mas aquela mulher não saía da mente e sempre falava a mesma coisa.
Já não aguentava mais, acabei dormindo.
Dessa vez a mulher estava mais perto, sua pele era branca como papel,não tinha olhos e sua boca era cortada de orelha à orelha e novamente ela disse " Por quê você me matou?" Não consegui responder, estava em choque, ela veio até mim e arrancou meus olhos, arranhou minha pele e estampou um sorriso igual ao dela no meu rosto, até que finalmente morri.
Eu estarei em seus sonhos , te perseguirei como me perseguiram te farei sofrer como sofri até você morrer.

"Por quê você me matou?"
Leia Mais

Reflexos

domingo, 19 de julho de 2015.

Eu o encarava nos olhos e não acreditava. Os mesmos olhos, a mesma boca seca, as mesmas narinas se abrindo e fechando tentando esconder o coração acelerado, o mesmo cabelo, e até a mesma expressão atônita. 

Mas aquele não era eu. Você já teve aquela sensação de ser observado? De que a qualquer momento sua sombra dará um passo além de você? Ou que talvez aquela pessoa que você no espelho, simplesmente se rebele? Eu venho tendo essa sensação há algum tempo. 

Todos dias me levanto e vou até o banheiro, enquanto escovo os dentes encaro um rosto apático, que parece não gostar da minha presença. 

Eu não aguento mais isso. Simplesmente não aguento Seja na janela de um carro, nos olhos de alguém ou em um copo d'água. Para onde quer que eu olhe, lá estão eles; aqueles olhos de fúria, voltados para mim. 

Como se me julgasse e me condenasse.
Chegou a minha vez de encará-lo. Esse tormento acabará hoje! Mal posso esperar chegar a noite. 

Quando ele dormir, eu poderei sair desse espelho.


                                                                                                                                 
Leia Mais

Pique - Esconde Solitário

terça-feira, 14 de julho de 2015.
Alguém já tentou brincar disso? Será que é real? Alguém tem alguma experiência relacionada a isso para compartilhar?

• O Esconde-Esconde solitário:
A brincadeira do Esconde-Esconde solitário, ou esconde-esconde de uma pessoa só, é bastante popular em diversas partes da Ásia. Aqueles que tentaram contar se a brincadeira de fato funciona e o que sentiram, tiveram suas vidas ameaçadas.

• Você irá precisar de:
- Uma boneca com pernas. (A boneca servirá como lugar para o espírito entrar, por isso, é aconselhável que você não use uma boneca que realmente goste, já que existe uma grande chance de o espírito não sair da boneca).
- Arroz. (Dizem que se o espírito comer essa oferenda ele se tornará mais forte)
- Linha vermelha (Ela simbolizará o sangue e a ligação entre você e o espírito)
- Algo do seu corpo. (Unhas são as mais comumente usadas, mas a quem use seu próprio sangue, pele, cabelo e etc. Não use algo do corpo de outra pessoa, ou a brincadeira se tornará uma maldição).
- “Arma” (Na verdade, algo com o que você possa apunhalar a boneca. Facas são muito perigosas, por isso, a maioria das pessoas utilizam canetas, lápis ou até mesmo agulhas).
- Água com sal ou álcool (Sem isso, o jogo nunca terá fim. Esse material é usado para livrar-se do espírito).
- Um nome (Dar um nome ao espírito é a coisa mais poderosa que um ser humano pode dar. Nomes dão um grande poder ao espírito).

• Preparando o jogo:
- Primeiro passo: Corte a boneca e substitua o algodão (ou qualquer coisa que esteja lá dentro) pelo arroz.
- Segundo passo: Coloque algo do seu corpo dentro da boneca
- Terceiro passo: Costure a abertura feita na boneca com o fio vermelho e em seguida, enrole-a com o restante da linha.
- Quarto passo: Em um banheiro, encha uma banheira (ou a própria pia) com água e procure um lugar para se esconder.

• Como jogar:
- Primeiro passo: Comece às 03:00 da manhã, pois é nesse horário em que há maior atividade espiritual.
- Segundo passo: Dê um nome à boneca.
- Terceiro passo: Quando o relógio marcar três horas, feche os olhos e repita três vezes: “O primeiro a procurar é... (O nome da boneca)!” (Você deve falar com firmeza ao falar com a boneca).
- Quarto passo: Vá para o banheiro e coloque a boneca na banheira ou pia cheia.
- Quinto passo: Apague as luzes.
- Sexto passo: Feche seus olhos e conte até dez. Pegue sua “arma” e vá para o banheiro. Siga até a boneca e diga “Eu achei você... (O nome da boneca)” enquanto a perfura. Em seguida, feche novamente seus olhos e diga três vezes “Agora... (O nome da boneca) é isto!”.
- Sétimo passo: Deixe sua “arma” próxima à boneca e vá para o seu esconderijo. Você DEVE trancar todas as portas e janelas.
- Oitavo passo: Coloque a água salgada na boca, mas não engula ou cuspa. A água com sal irá proteger você do espírito.

• O final:
Para terminar o jogo, procure a boneca e leve consigo o restante da água salgada ou álcool. Tenha em mente que a boneca pode não estar no banheiro e há casos em que ela foi encontrada na rua.
Quando a encontrar, cuspa a água salgada sobre ela e faça o mesmo com o restante da água. Feche os olhos e grite “Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei!”. O espírito da boneca desistirá e o jogo acabará. Aconselha-se a descartar a boneca e queimá-la após o jogo.

Importante
- Fique no jogo por no máximo duas horas. Depois deste tempo, o espírito da boneca ficará forte demais para ser expulso.
- Jogue sozinho. Quanto mais pessoas houver, maior a chance de alguém ser possuído.
- Não vá para fora.
- Quando for se esconder, seja silencioso.
- Desligue todos os eletrônicos antes de começar.
- Ao fugir da boneca, não olhe para trás e não durma enquanto joga. A boneca pode machucar você com a sua arma.
- Quando encontrar a boneca, você pode ficar levemente ferido ou até mesmo possuído. Se for achado por ela, tenha cuidado, pois sua arma poderá estar em qualquer lugar do chão ou até mesmo em seu bolso.
- Depois que o jogo acabar, é importante limpar tudo corretamente. Certifique-se de que foi colocado um pouco de sal em todos os cantos da casa, especialmente onde foi iniciado o jogo e onde a boneca foi encontrada. Dizem que o sal afasta os espíritos.

Algumas pessoas que jogaram, relataram os seguintes acontecimentos durante o jogo:
- Tv mudando de canal sozinha.
- Luzes que estavam perfeitamente normais, piscando.
- Portas abrindo e fechando.
- Escutaram sons de risadas.
Leia Mais