Páginas

Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens

A Tulpa

sábado, 29 de agosto de 2015.
Ano passado eu gastei mais ou menos seis meses em algo que podia se chamar "projeto psicológico". Estive procurando no jornal local anúncios de emprego e achei um convidando pessoas criativas que estivessem procurando por um dinheiro fácil. Bem, a partir do momento em que aquele era o único para o qual eu estava relativamente qualificado, liguei para o número do anúncio e arrumei uma entrevista.

Me disseram que tudo que eu precisava fazer era ficar parado, sentado em uma sala, sozinho, com sensores colocados em minha cabeça para ler atividade cerebral, e enquanto eu estivesse lá, eu visualizaria uma duplicata de mim mesmo que eles chamaram de minha "tulpa".

Parecia bem fácil, eu concordei quando disseram quanto iam me pagar. No dia seguinte, comecei. Me levaram para uma sala simples com uma cama e colocaram sensores na minha cabeça, sensores que estavam ligados a uma pequena caixa preta em uma mesinha ao meu lado. Eles falaram comigo sobre eu visualizar minha duplicata de novo. Eu expliquei a eles que era chato, e eu ficava impaciente, invés de me mexer, eu deveria ver minha duplicata se mexendo e tentar interagir com ela e assim por diante. A idéia era manter ele comigo o tempo todo em que eu estivesse na sala.

Eu tive uns problemas nos primeiros dias. Era muito mais difícil do que qualquer experiência extra corpórea que eu já houvesse feito. Eu imaginava e visualizava minha duplicata por alguns minutos e então me distraia. Pelo quarto dia, eu já conseguia manter ela por mais ou menos 6 horas por perto. Me disseram que eu estava indo muito bem.

Na segunda semana me colocaram em uma sala com auto-falantes acoplados nas paredes. Me disseram que gostariam de ver se eu conseguia manter a tulpa mesmo com estímulos para me distrair. A música era bem desordenada, feia, inaudível e fazia o processo ser mais difícil, mas eu consegui de qualquer modo. Na semana seguinte, eles tocaram uma música ainda mais insuportável, piorada com loops, distorções, microfonias e algo que pareciam serem vozes guturais falando em idiomas estrangeiros. Eu só ria daquilo, já tinha me tornado profissional em manter a tulpa.

Comecei a ficar entediado com o passar dos dias. Para animar as coisas, comecei a interagir com minha cópia. Conversávamos, jogávamos jo-ken-po, e eu imaginava-o dançando break dance ou qualquer coisa que eu julgasse engraçado. Perguntei aos doutores se aquilo atrapalharia os estudos, mas eles só me encorajavam a continuar.

Então brincávamos e conversávamos e foi divertido até que as coisas começaram a ficar estranhas... Um dia eu estava contando a ele sobre meu primeiro encontro e ele me corrigiu, dizendo que a garota estava vestindo uma camisa amarela, e não uma verde. Pensei no que ele disse por um momento e notei que ele estava certo. Isso me assustou um pouco, e após o expediente eu falei com os pesquisadores sobre aquilo. "Você está usando ele como forma de chegar ao seu subconsciente", eles explicaram. "Você sabia em algum lugar que estava errado, então se subconsciente lhe auto-corrigiu".

O que era assustador se tornou divertido! Eu podai consultar meu subconsciente e revirar memórias passadas muito facilmente. Minha tulpa podia citar páginas inteiras de livros que eu havia lido anos atrás e se lembrar de coisas que eu havia aprendido no ensino médio e já havia esquecido. Era incrível.

Com o tempo, comecei a levar minha duplicata para fora do centro de pesquisas. No começo tive medo mas então me senti a vontade de sempre que me entediava, o trazia e passava o tempo. Então comecei a trazê-lo tanto que começou a parecer estranho não tê-lo por perto. Levava-o quando saia com amigos, quando ia a casa da minha mãe, e até levei ele uma vez para um encontro, e uma vez que não precisava falar em voz alta com ele, eu podia manter conversas sem que ninguém soubesse.

Eu sei que pode soar estranho, mas era divertido. Além de ser minha subconsciência e memória sempre ao meu dispor, estava começando a ficar mais atento do que eu mesmo as coisas ao meu redor, notando detalhes e sinais de linguagem corporal que eu não percebia. Por exemplo, nesse encontro em que o levei, eu pensei que as coisas estavam indo mal a beça, até que ele me apontou sinais de que ela estava rindo demais de minhas piadas e estava dando muitas chances para que eu falasse algo a mais, então eu realmente notei e escutei o que ele dizia e vamos apenas dizer que o encontro se saiu muito bem.

Quando fizeram 4 meses em que eu estava no centro de pesquisas, ele estava comigo constantemente. Então os pesquisadores vieram até mim e pediram para que eu parasse de visualizá-lo. Eu me neguei, e isso agradou eles. Eu silenciosamente perguntei a minha duplicata o que deveria ter trazido essa idéia e ele simplesmente deu de ombros. Eu também.

Eu me retive um pouco do mundo naquela época. Estava tendo problemas em conviver com as pessoas. Parecia muito que elas não sabiam ou estavam confusas sobre o que falavam, enquanto e tinha uma manifestação de mim mesmo para consultar. Fez com que socializar ficasse estranho. Ninguém parecia ciente do que fazia elas ficarem bravas ou alegres, não apreciam saber a razão por trás de tudo. Eu sabia. Ou pelo menos podia perguntar a mim mesmo.

Um amigo que confrontou em uma tarde. Ele socou a porta até eu abrir e caiu como uma tempestade em mim, raivoso. "Você não atendeu o telefone por duas semanas seu porra!" Gritou. "Qual é a porra do teu problema?"

Eu ia pedir desculpas e provavelmente iria com ele a um bar naquela. Mas então minha tulpa ficou furiosa. "Bata nele", ela disse, e antes que eu soubesse o que estava fazendo, eu soquei ele. Ouvi seu nariz quebrar. ele caiu no chão e se levantou balançando, e batemos um no outro até arrebentar meu apartamento. Eu nunca estive tão furioso quanto naquele momento, e não tive piedade. Derrubei-o no chão e dei dois pontapés nas costelas, e foi ai que ele fugiu, machucado e choramingando.

Em alguns minutos a polícia chegou, e eu aleguei auto-defesa, e uma vez que ele não estava lá para se defender, a polícia me deixou com uma advertência e foi embora. Minha tulpa estava animada o tempo todo, e passamos a noite falando sobre a briga e sobre como eu dei uma bela surra no meu amigo.

Na manhã seguinte vi meu olho roxo e meu corte no lábio, e lembrei do que havia ocorrido para iniciar a briga. Minha duplicata é que havia se irritado, e não eu. Eu bati em um amigo chateado e me senti bem por isso. Tive vergonha e me senti culpado. A tulpa estava presente, é claro, e sabia meus pensamentos. Então disse: "você não precisa dele". "Você não precisa de mais ninguém". Me arrepiei.

Contei aos pesquisadores tu que se passara e eles apenas riram de mim, dizendo que eu não podia ter medo de algo que eu estava imaginando. Minha tulpa apenas balançou a cabeça e sorriu para mim.

Tentei considerar aquelas palavras seriamente e não ter medo, mas a tulpa estava realmente me incomodando com seu sorriso constante e malicioso, e não havia emprego no mundo que valesse minha sanidade. Evitava olhar ou me concentrar nele, mas sempre que olhava ele estava com os olhos rápidos e mais tenso, então comecei a tentar fazê-lo sumir. Nos primeiros dias foi bem difícil, mas finalmente conseguia manter ele longe por umas horas, mas cada vez que voltava, estava pior e pior, mais tenso, mais alto e ameaçador, com os olhos mais fundos, a pele mais acizentada, os dentes mais pontudos. E cada vez em que ele voltava, aquela música destonada que em faziam ouvir, voltava com ele. Quando estava e casa, tetando relaxar e cochilar, não mais me concentrando nele, ele aparecia, e o barulho agudo junto dele.

Ainda visitava o centro de pesquisas naquela época, e estava fazendo meu trabalho pelas próximas 6 horas, precisava do dinheiro, e achava que eles não haviam percebido que eu não estava mais visualizando minha tulpa constantemente. Eu estava errado. Dentro de pouco tempo, dois homens me seguraram e me contiveram e alguém com uma jaleco médico aplicou uma injeção hipodérmica em mim.

Acordei de meu torpor preso em minha cama, com a música tocando e minha tulpa sobre mim. Ele mal se parecia mais com um humano. Tinha os olhos afundados até as órbitas, os dedos longos e deformados, era muito mais alto que eu, porém corcunda. Ele era, em suma, assustador pra caralho. Tentei me concentrar em não vê-lo, mas não conseguia me concentrar. Ele riu e deu um tapinha na intra-venosa em meu braço. Eu lutei contra as amarras da melhor maneira que pude, mas mal pude me mover.

"Eles estão te enchendo com aquela merda, eu acho. Como vai a cabeça? Tudo confuso?" Ele chegava mais e mais perto conforme falava. Tive náuseas, seu hálito era como carne passada. Me concentrei muito, mas não era capaz de baní-lo.

As próximas semanas foram terríveis. Quase sempre entrava alguem em um jaleco e me injetava algo ou me forçava a engolir uma pílula. Me mantiveram tonto e inconsciente, e as vezes me mantinham alucinado e tendo visões. Minha tulpa estava lá, o tempo todo, zombando. Ele interagia, ou talvez até fosse o motor das minhas alucinações. Cheguei a alucinar que minha mãe veio me visitar, me abraçando e chorando, e então ele cortava a garganta dela e me banhava em seu sangue. Foi tão real que pude sentir o gosto.

Os médicos nunca falavam comigo. Eu implorava, gritava, pedia em grunhidos e nada. Mas falavam com minha tulpa. Ao menos eu acho... estava tão dopado e alucinado que não sei dizer, mas comecei a me convencer de que ele era real e eu era a cópia. Algumas vezes ele encorajava essa linha de pensamento, outras vezes ria de mim.

Então, um dia, enquanto ele me contava uma história de como ia degolar todos que eu amava, começando por minha irmã, ele parou, um ar tenso cruzou seu rosto e ele colocou a mão em minha testa, como minha mãe fazia para saber se eu estava febril. Ficou parado por um bom tempo e sorriu. "Todos os pensamentos estão criativos", ele me disse, então saiu pela porta.

Após três horas vieram a meu quarto e me injetaram algo muito forte, de modo que desmaiei, e quando acordei, estava deitado, desamarrado e livre. Levantei, corri até a porta e estava destrancada. Abri e corri por um longo corredor vazio, abri outra porta e tropecei escadas a baixo até a porta dos fundos do prédio. Desmaiei de novo, devido a dor, gritando feito uma criancinha. Sabia que deveria continuar correndo, mas não conseguia.

Cheguei em casa, de algum modo. Tranquei a porta e coloquei um armário na frente.Tomei um longo banho e dormi por um dia e meio. Ninguém veio a minha casa naquele dia, nem no seguinte, nem no próximo nem no outro, por uma semana me mantive naquele quarto. Havia acabado. Pareceu um século. Eu havia tirado tanta coisa da minha vida que ninguém se importo com o fato de eu estar desaparecido.

A polícia não achou nada. O centro de pesquisas estava vazio quando investigaram. A documentação foi inútil e os nomes que eu dei não resultaram em nada. Até o dinheiro que eu havia recebido era irastreável.

Eu me recuperei o máximo que pude. Não saio muito de casa, e quando saio, tenho ataques de pânico. E choro. Choro muito. Não durmo muito, e meus pesadelos são horríveis. Acabou, tento me convencer, eu sobrevivi. Uso as técnicas de concentração que aqueles bastardos me ensinaram, e até que funciona um pouco.

Não hoje. A três dias, recebi uma ligação de minha mãe. Uma tragédia havia ocorrido. Minha irmã havia sido a última vítima de uma série de assassinatos, dizia a polícia. O assassino sangra as vítimas, então as degola.

Houve o funeral essa tarde, o mais bonito que se pode imaginar, eu suponho. Eu estive um pouco distraído. Não conseguia pensar direito ouvindo uma música muito baixa, com estática, distorção, sem tom e com microfonia, vindo de longe. Ainda estou ouvindo - mais alto agora.
Leia Mais

Reflexos

domingo, 19 de julho de 2015.

Eu o encarava nos olhos e não acreditava. Os mesmos olhos, a mesma boca seca, as mesmas narinas se abrindo e fechando tentando esconder o coração acelerado, o mesmo cabelo, e até a mesma expressão atônita. 

Mas aquele não era eu. Você já teve aquela sensação de ser observado? De que a qualquer momento sua sombra dará um passo além de você? Ou que talvez aquela pessoa que você no espelho, simplesmente se rebele? Eu venho tendo essa sensação há algum tempo. 

Todos dias me levanto e vou até o banheiro, enquanto escovo os dentes encaro um rosto apático, que parece não gostar da minha presença. 

Eu não aguento mais isso. Simplesmente não aguento Seja na janela de um carro, nos olhos de alguém ou em um copo d'água. Para onde quer que eu olhe, lá estão eles; aqueles olhos de fúria, voltados para mim. 

Como se me julgasse e me condenasse.
Chegou a minha vez de encará-lo. Esse tormento acabará hoje! Mal posso esperar chegar a noite. 

Quando ele dormir, eu poderei sair desse espelho.


                                                                                                                                 
Leia Mais

O Mosteiro de Satanás

quarta-feira, 22 de abril de 2015.
1952, quinta feira, dia 23 de dezembro. Leonel sai de casa para passar o natal com a família no Rio de Janeiro. Nas estradas mineiras chovia como ele nunca tinha visto antes. Sozinho no carro Leonel sentiu um calafrio como se estivesse prestes a morrer. Na mesma hora ele parou o carro. Começou a sentir febre e a suar frio. Na estrada não passava um veículo e a chuva tinha apertado mais. Quase cego com a tempestade Leonel avista uma luminosidade não muito longe dali. Caminhando com dificuldade o pobre homem chega até o portão do queparecia ser um mosteiro franciscano . Ele bate na porta e grita por ajuda mas desmaia antes dela chegar.

Leonel acorda com muita dor de cabeça em um quarto escuro. Ele estava deitado numa cama simples e pela janela podia ver que a chuva não havia reduzido. Quando tentou levantar-se da cama a porta se abre e um homem alto vestido de monge entra no quarto. "Você deve deixar o mosteiro imediatamente." falou, com uma voz preocupada. "Estou doente, não podem me mandar embora deste jeito, por favor deixe-me ficar.", agonizou Leonel quase chorando. O monge não disse mais nada e se retirou do recinto. Preocupado em ter que ir embora Leonel se levanta e sai do quarto sorrateiramente. O lugar mais parecia um calabouço medieval. O coitado não sabia o que fazer. Por instinto Leonel desce as escadas da masmorra. Uma voz o chama. Ela vem de uma cela, a porta está trancada e pela pequena grade um homem magro de cavanhaque conversa com Leonel. "Amigo, você precisa me ajudar. Esses monges me prenderam aqui e me torturam quase diariamente. E eles farão isso com você também se não fugirmos logo. Por fa..."Antes do sujeito concluir o monge alto grita com Leonel. "Saia daí!!!" agarrando-o pelo braço o monge arrasta o enfermo rapaz escada acima. O pobre Leonel não tinha forças para reagir e foi levado facilmente.

Já em uma sala gigantesca repleta de monges Leonel se vê como um réu sendo julgado. O franciscano que parecia o líder falou. "Rapaz, você deve ir embora imediatamente. Foi um erro nosso tê-lo deixado entrar aqui. Sabemos do seu estado de saúde mas não podemos deixá-lo ficar". Leonel mal ouviu o homem e desmaiou novamente. O infeliz viajante acorda mais uma vez na masmorra.

A porta do quarto estava aberta e Leonel sai a procura do homem que estava preso no andar de baixo. Sem vigília, ele consegue chegar até a cela do magrelo. Mal se aproxima e Leonel é surpreendido com o sujeito na pequena grade já pedindo ajuda. “Por favor, me tire daqui. Eles vão nos torturar, eles são de uma seita maligna. São adoradores de Satanás.” Tremendo como uma vara verde em dia de chuva, Leonel corre atéum pequeno depósito em busca de uma ferramenta capaz de abrir a cela. Minutos depois ele retorna com um imenso pé de cabra.

Com um pouco de esforço a porta é arrombada. O sujeito magro sai correndo da cela e rindo como se uma piada hilária tivesse acabada de ter sido contada. Sem saber do que se tratava, Leonel corre também, mas dá de cara com um monge de quase dois metros de altura. “ O que você acaba de fazer, maldito?!” Rugiu o franciscano. “Me solte! Me solte seu filho de Satanás!” Gritava Leonel tentando se soltar do agarrão do monge. Com um olhar de temor e raiva o homem alto encara o pobre Leonel... “Você não sabe o que fez... sua vida está condenada agora. Você acaba de libertar o próprio Satanás. E ele fará de você o seu servo predileto. Sua alma será dele”. Logo após o monge ter terminado de falar Leonel dá um grito de pavor... seu último grito de pavor. Naquele instante o pobre e inocente viajante acaba de ter um fulminante ataque cardíaco que levou sua alma literalmente para os quintos dos Infernos, ao lado do, agora, seu eterno mestre, Satanás.
Leia Mais

Sob o Gelo

sexta-feira, 17 de abril de 2015.
06h52min

Outro pesadelo; acordei em uma piscina de suor, meu coração batia forte e minha cabeça doía de forma anormal. Vi o sol pela janela e percebi que ele havia começado a nascer há pouco tempo, fazendo com que os demônios e a escuridão da noite voltassem de onde eles tinham vindo. A sombra cobria meu quarto como se fosse uma jaula. Eu sentei, achei meu relógio no criado-mudo e coloquei no pulso.

Peguei meu rifle que estava debaixo da cama, fazendo com que uma garrafa quase vazia de uísque caísse no chão. Isso explica a dor de cabeça...

Alcancei a garrafa e a joguei no lixo um momento depois, percebendo que seja lá o que eu tenha feito na noite passada, estava esquecido a partir de agora. Comecei a polir minha arma calmamente, e a contar os segundos, acompanhando meu relógio. Isso é monótono, eu sei... Mas me acalma. É parte da minha rotina.

Minha rotina me mantém vivo.

Minha rotina me mantém são.

Coloquei a arma ao meu lado e olhei para a janela, enquanto o sol escalava as montanhas com seus raios amarelos. É uma manhã calma... Mas mesmo assim, eu não podia aproveitá-la.

Não consigo tirar a minha atenção do meu sonho; as pessoas costumam me dizer que elas não conseguem se lembrar dos sonhos delas, mas não eu. Meus sonhos ficam gravados no meu cérebro como um filme, esperando para aparecer assim que eu consigo um momento de paz.


Estava escuro e eu estava me escondendo, de que? Não sei. Mas eu sabia que estava lá, eu podia sentir seu cheiro diferenciado. Eu podia ouvir seus pesados e lentos passos. Fechei os olhos, na esperança de que isso fosse me proteger...


Consegui ouvir os passos cada vez mais próximos até que eu simplesmente não escutei mais nada, e, pensando que o pior havia passado, abri meus olhos. Na minha frente estava uma figura – uma mulher – sua face fina estava coberta com longos e molhados fios de cabelo, eu não conseguia ver os olhos dela, mas sabia que ela podia me ver.


Então eu acordei.


Não consigo me lembrar da última vez que tive um sonho agradável, merda... Não acho que em algum momento da minha vida eu tenha sonhado com algo agradável. Quando eu era mais novo, morria de medo do escuro e acordaria gritando á noite. Minha mãe ia ao meu quarto, na tentativa de me acalmar, e me dizia para focar apenas no som da sua voz.


Ela me dizia para pensar em coisas boas, e que essas coisas boas, fariam com que meus pesadelos nunca mais voltassem.


Isso nunca funcionou.


Coisas boas não vinham á minha mente tão fácil assim, então, os pesadelos sempre prevaleciam.


Mas eu não acho que isso seja uma coisa ruim... Nunca entendi o termo “bons sonhos”. Isso aumenta demais a expectativa das pessoas, e pesadelos te mantém realista, com os pés no chão, preparado antecipadamente pra qualquer coisa!


A vida pode ser terrível, mas as merdas que acontecem contigo nunca se igualariam ás que acontecem nos teus sonhos.


Pelo menos é isso que eu digo á mim mesmo.


08h24min


Eu fiz um café da manhã rápido, carne de coelho, uma porção pequena, eu sabia que isso não me sustentaria até o outro dia, então, se eu quisesse jantar, precisaria caçar outro.


Olhei para o meu relógio novamente, tentando cronometrar o dia, se eu saísse agora, ainda conseguiria cortar lenha antes do pôr do sol. Entre tentar ficar aquecido e cozinhar algo ontem, acabei não fazendo muita coisa antes do anoitecer, e se tinha alguma coisa pior do que uma noite fria nas montanhas, seria uma noite fria no escuro e com fome.


A mente começa a vaguear quando você é deixado sozinho na noite, se enche de escuridão, e de qualquer coisa que encontra, e na maioria das vezes, te mostra as coisas que você menos quer ver.


Peguei meu casaco e meu rifle e andei em direção a porta; assim que abri, pude sentir o vento congelante invadindo o lugar e meu rosto, o que me fez perceber que se eu não quisesse morrer congelado, teria que ir e voltar o mais rápido possível. Minhas antigas pegadas criaram um caminho na neve, por causa da minha última aventura na floresta. Eu as segui, pisando exatamente nas mesmas marcas do dia anterior; cada pegada esmagava a neve, fazendo com que o silencio ao meu redor, se enchesse de eco.


A floresta escondia o pequeno terreno onde minha cabine ficava; as árvores eram imensas e atrás delas, as montanhas tomavam lugar... Mas atrás das montanhas... Eu não sei. Não me importo. Esse grande pedaço cheio de neve é minha casa, meu reino.


Eu mantenho o mundo exterior longe de mim, e ele faz o mesmo. É um inexplicável pacto que continua me servindo muito bem nesses três últimos anos. Eu detesto o mundo que eu deixei para trás – todos os dias eu me via perto de pessoas que eu não conseguia aturar – era demais pra mim. Eu não me lembro exatamente quando percebi que não aguentava mais, mas um dia, eu simplesmente soube, e eu tive que sair enquanto pude... Enquanto havia algum resquício de sanidade em mim.


12h31min


Olhei pro meu relógio e depois para o sol, em meio ao emaranhado dos galhos. Estou nessa trilha de merda há três horas, seguindo-a incansavelmente por esse labirinto de árvores. Toda vez que consigo uma boa mira, o bastardo resolve se mexer! Eu o segui até o penhasco, e me escondi atrás de uma árvore caída; apoiando meu cotovelo em um galho, sujo e molhado, esperando que ele em algum momento cansasse de correr e me desse uma trégua dessa perseguição.


Já estou aqui há algum tempo, mas caça exige isso. Calma. Muita calma. Porém, estou acostumado. Quando você tem uma vida como a minha, paciência é uma grande parte dos seus dias. Amanhã talvez eu resolva caminhar e passar na casa do Harry com uma lista de coisas que estão faltando aqui, e talvez eu até construa algumas armadilhas. Faria a caça ser muito mais fácil, e eu poderia usar o tempo livre para me ocupar de outras maneiras... Mas, eu nunca me importei com o fato de ter que caçar; tenho certa satisfação em cozinhar um animal que eu mesmo cacei, só esse pensamento faz meu estômago roncar.


Pelo menos ele parou de se mexer, tento mirar no seu pequeno e gordo corpo, quando vejo algo no canto dos meus olhos. Por baixo da camada grossa de neve, vi algo borrado, que me lembrava uma sombra, se mexendo calmamente. Eu andei por essas florestas vezes suficiente pra saber que ninguém mais mora por aqui, então, o que é aquilo? Tentei me convencer de que era um tronco, mas, se mexia demais; Era algo vivo.


Meus olhos encararam a frente novamente, o coelho havia desaparecido. Eu me distraí por um momento e agora ele havia sumido! Soquei o tronco no qual estava apoiado, machucando um pouco a mão.


NÃO.


Não posso deixar isso me atingir assim, eu demoro muito pra me acalmar depois que me aborreço. Se eu ficar com raiva, nunca mais conseguirei focar novamente e não poderei pegar esse merdinha. Caminhei até o lugar que ele estava e tentei achar as pegadas que ele provavelmente havia deixado e a sombra abaixo do gelo se mexeu novamente.


Eu podia ver claramente, era uma grande silhueta, praticamente dançando embaixo do gelo. Abaixei a arma e me aproximei, percebendo que a forma era praticamente... Humana. Tentei enxergar pelo gelo, mas não havia onde eu pudesse ver, a camada era muito grossa. Nada sobreviveria ali; coloquei um pouco do meu peso sobre o gelo, estava sólido, talvez estivesse seguro e eu pudesse andar em cima. Passo a passo eu comecei a me aproximar da figura que certamente era humana.


Isso é impossível... Como chegou lá embaixo? Como está vivo?


Fiquei de joelhos e tirei o excesso de neve que descansava ali, uma mão estava pressionada do outro lado. Uma fina e frágil mão. A mão de uma mulher; ela tinha uma marca de anel, e a julgar pelo dedo, presumi que era de uma aliança. Coloquei minha mão no gelo para encontrar a dela, pensando em um jeito de conseguir tirá-la dali. Olhei ao redor e não achei nenhuma pedra pra quebrar o gelo.


Levantei por um momento e depois que percebi, estava abaixo do gelo, sentindo a água fria tocando-me.


A temperatura estava tão fria que queimou minha pele no primeiro toque, meu corpo inteiro simplesmente parou e eu comecei a afundar, mas não demorou muito até que minha mente percebesse o que havia acontecido e foi nesse momento que meus braços involuntariamente começaram a se mexer, tentando me colocar pra cima.


De alguma forma eu alcancei o topo, me apoiei no gelo que ainda estava lá e coloquei todo meu peso nos cotovelos, numa tentativa de sair de uma vez dali. O vento gelado parecia sol de verão comparado com a água que eu havia nadado segundos atrás.


Eu deitei parado, depois de finalmente conseguir sair, e encarei o céu, tentando respirar calmamente. Minha cabeça ainda girava e meu cérebro ainda parecia congelado, como se ainda estivesse imerso naquelas águas.


A mulher. O que aconteceu com ela? Levantei e olhei para o buraco onde havia caído, ela não estava mais lá. Ótimo. Isso é exatamente o que eu precisava. Sem comida e agora essa mulher desaparece.


Levantei novamente, temendo que o gelo fosse quebrar mais uma vez e comecei a andar em direção a minha cabana, e pude, imediatamente, sentir a diferença assim que pisei em um chão realmente sólido, mesmo estando com as botas encharcadas. Eu precisava tirar as roupas antes que eu ficasse doente ou tivesse hipotermia.


Eu quase tive hipotermia quando me mudei pra cá, e não é o tipo de experiência que eu gostaria de ter novamente.


Peguei minha arma e comecei a andar em direção ás minhas próprias pegadas, seguindo-as de volta pra casa. Aquele maldito coelho. O odeio por me trazer até aqui. Amanhã, eu vou matar aquele merdinha e vou ter a refeição mais satisfatória da minha vida.


Não consegui parar de pensar na mulher enquanto eu andava pelas árvores, eu tentei me convencer de que minha frustração e fome fizeram com que eu tivesse uma ilusão. Fizeram-me ver coisas que não estavam lá. Mas algo sobre ela parecia conhecido; aquela mão, aqueles dedos e aquela marca anel. Tão estranho, mas ao mesmo tempo, tão familiar.


16h15min


De alguma forma eu cheguei em casa, realmente não sei como consegui. Depois de meia hora caminhando na neve, comecei a parar repetidamente por cansaço. Queria deitar lá, e esperar que o frio me consumisse.


Mas algo sobre morrer ali parecia estranho; como se eu tivesse desistido. Eu não queria morrer desse jeito.


Em uma época da sua vida, a morte é algo que você não conhece. É algo que você sabe que existe, e que você imagina que pode acontecer, mas ainda é só fantasia. Algo que ainda está fora de alcance, que não aconteceria tão cedo com você.


E então, ela simplesmente chega. E é como uma visita inoportuna que se recusa á sair da sua casa. Infiltra-se na sua pele. Você não pode vê-la, mas sabe que ela está lá, pelo resto da sua vida, mesmo que o resto seja curto, ela espera pacientemente até que consiga te alcançar de todas as maneiras possíveis.


Coloquei minha arma embaixo da cama e minhas roupas molhadas próximo á lareira; ainda estava queimando, mas eu sabia que não ia durar muito. Também não estava me aquecendo como eu queria, mas eu sabia que as roupas iriam secar.


Sentei-me e observei o fogo, e lentamente, o frio começou a passar. No começo, a mudança brusca de temperatura me incomodou, mas eu ignorei e logo a temperatura voltou ao normal e o incomodo passou.


Depois de estar quase completamente seco, sai de casa e observei o céu. Eu tinha pelo menos uma ou duas horas até o pôr do sol, então, andei até o outro lado da cabine e peguei meu machado.


Mesmo que cortar lenha seja uma atividade cansativa, é o tipo de cansaço que eu aprecio. Quando eu fico tenso por causa de um dia ruim, eu uso isso para descontrair; e hoje foi um péssimo dia.


É bom sentir a madeira do machado em minhas mãos.


Aproximei o machado da minha cabeça e com um só movimento cortei a lenha, partindo-a em duas.


Tão satisfatório.


18h02min


Uísque me aqueceu de um jeito que só o álcool conseguiria fazer, o sol já se pôs e minha casa está cheia de luz laranja florescente. Observei a lareira, enquanto o fogo devorava as toras que eu havia cortado. As chamas ficavam cada vez mais fortes assim que a lenha ficava mais fraca, e, eventualmente, tudo que vai restar é cinza; tanto da lenha quanto das chamas.


Tomei mais um gole do uísque e sorri enquanto a ideia de ciclo infinito pairava na minha cabeça. Eu geralmente tento economizar minhas bebidas para ocasiões importantes (Por exemplo: quando eu posso apreciar propriamente uma boa comida); mas eu tive um dia longo e eu simplesmente não me importo. Continuo enchendo minha boca com o líquido e depois engolindo, sinto minha garganta queimar como o inferno enquanto desce, porém logo a sensação passa.


Está tarde.


A garrafa está praticamente vazia, eu provavelmente deveria ter parado há algum tempo atrás, mas eu não me importei. Eu merecia um trato depois da merda de dia que tive. É possível até dizer que eu esteja curado; eu ainda me lembro de quando eu costumava beber desse jeito na cidade, depois de uma semana longa de trabalho, os Sábados eram os dias que eu passava com a cara enfiada em algum bar com copos e mais copos de uísque nas mãos.


Os bares eram barulhentos e as pessoas eram chatas, mas eu podia ficar bêbado sem ter ninguém pra me notar, e de alguma forma, eu conseguia chegar em casa – derrubando algumas coisas no caminho – e logo depois, parando na cama.


Tudo parecia se mover enquanto eu levantava e começava a andar em direção á cozinha, eu tento me apoiar na mesa e dizer para mim mesmo que preciso parar, e que se eu não parar, eu vou vomitar.


Apoiei-me na pia e liguei a torneira, aproximando meu rosto da água fria que me acalmou e a fez a tontura diminuir gradativamente.


Parei por um momento e observei a janela. Por que eu decidi vir morar aqui sozinho? Eu sei que tudo que eu preciso é á mim mesmo, mas ás vezes, eu fico um pouco solitário.


As nuvens estavam pesadas em volta da lua, fazendo com que a cabine fosse a única fonte de luz. Foquei na escuridão e senti o pavor tomar conta de mim subitamente. Tem alguma coisa lá fora, e apesar de logo de cara achar que estava vendo coisas, comecei a vê-la se mover novamente, vindo em direção á cabine.


Pressionei meu nariz contra o vidro da janela e disse á mim mesmo que era apenas um lobo ou algo do tipo, mas a forma era humana.


Uma mulher estava parada lá fora. Seu cabelo era longo e cobria parte do seu rosto, e ela usava uma longa e branca camisola, completamente molhada;


Ela era a mulher que estava sob o gelo.


Ela não se movia mais, apenas ficou parada ali, olhando para os próprios pés. Meus olhos foram atraídos pela mão esquerda dela, não pude deixar de lembrar daquela mesma mão apoiada no gelo mais cedo. Pálida, magra e... A marca do anel.


Olhei para o rosto dela novamente e agora ela estava me encarando de volta. Seu olhar atravessava os fios rebeldes de cabelo e chegavam diretamente á mim; eu não sabia o que estava sentindo, mas sabia que nunca havia sentido aquilo na minha vida.


Por um momento, balancei os braços, esperando que ela se assustasse e fosse embora ou simplesmente olhasse para outro lugar, mas ela não o fez.


Eu não podia aguentar mais aquilo. Saí da cozinha rapidamente, passei pela sala e entrei no quarto. Eu só precisava de algumas horas de sono, amanhã isso vai embora e eu posso voltar a fazer as coisas normalmente.


Minha cabeça doía, e o quarto parecia girar ao meu redor; olhei para a minha cama, e numa tentativa falha de deitar, acabei caindo de mau jeito e batendo minha cabeça no chão. A dor me atingiu rapidamente, o que me fez grunhir e abrir meus olhos, tentando focar em algo novamente.


Debaixo da minha cama havia vários papéis com recados do Harry. O efeito da minha queda começou a passar e eu vi as palavras “polícia” e “suspeito” em um deles. Que merda é essa?


Agarrei o papel e comecei a desamassá-lo, logo de primeira não consegui ler, mas depois de esfregar os olhos algumas vezes e com muito esforço consegui entender.


Espero que você esteja bem. A polícia me fez algumas perguntas e eles suspeitaram de algo por um tempo, mas eu acho que estamos livres disso agora. Não precisa mais se preocupar, eles não vão te achar aí. Espero que esses suprimentos durem até o mês que vem.
- Harry


Polícia? Do que ele está falando?


Abri outro recado.


Achei que você fosse me responder, está tudo bem? Estou preocupado. Depois do que aconteceu, espero que você esteja bem aí sozinho.
- Harry


Minha cabeça começou a rodar novamente. Do que ele estava falando? Depois de que? Por que ele estaria preocupado? O que está acontecendo?


Agarrei outro papel e comecei a ler.


Realmente queria que você me respondesse. Não sei como você está se saindo sozinho aí, talvez eu pudesse te fazer companhia se você precisar. Eu só estou preocupado com o que você pode estar fazendo a si mesmo. Desculpe-me por trazer isso á tona, mas, um cara não pode simplesmente afogar sua mulher e fugir como se nada tivesse acontecido. Sério, você pode falar comigo sobre isso, por favor, deixe-me saber como você está!


Do que ele estava falando? Isso só pode ser algum tipo de brincadeira.


Joguei os papéis embaixo da cama novamente.


Eu nunca havia me casado e com certeza não tinha matado ninguém.


Também não estava me escondendo. Estou aqui porque quero estar, eu preciso estar isolado. Não preciso? Estou tão confuso, eu passei por muita coisa hoje, não posso lidar com isso agora.


Olho para as minhas mãos, meus dedos estão tremendo; e então, eu ajoelhei.


Eu não poderia matar alguém, poderia?


Olhei para a minha mão esquerda.


O que está errado comigo? Como nunca notei isso antes?


Uma marca de aliança descansava no meu dedo anelar.


Senti como se alguém tivesse batido na minha cabeça, meus pensamentos começaram a se organizar lentamente.


Samantha.


Meu chefe me irritou no trabalho, cheguei em casa agitado e bêbado. Só queria ficar sozinho e beber! E ela sabia disso, mas ela gritava. Ela gritava porque eu ia bêbado pra casa todos os dias, nós brigamos, eu gritei. Nós jogamos coisas um no outro, e eventualmente, ela disse que não podia mais ficar comigo e foi ao banheiro para se acalmar.


Mas eu não estava calmo, eu precisava dizer exatamente o que eu achava sobre ela e as merdas que ela fazia. Como ela pode sair andando daquele jeito? Como se nada tivesse acontecido, como se nós não fôssemos nada um para o outro? Como se eu não valesse o tempo dela?


Foi aí que ela começou a murmurar.


Afundei meu rosto em minhas mãos e minhas lágrimas alcançaram o chão; ouvi passos na sala ao lado. Era ela. Por que ela simplesmente não me deixa só? Tudo que eu quero é ficar sozinho!


As chamas já não estão mais fortes e a luz não alcança mais meu quarto, e eu ainda estava sentado no chão. Conseguia ouvir os passos chegando cada vez mais perto, e ela continuava a murmurar. Eu não aguentava mais isso!


Comecei a ir em direção ao canto do quarto, perto do meu guarda-roupa.


Deixe-me sozinho, por favor. Por favor.


Meu coração batia fortemente e meus dedos tremiam como nunca antes.


Fechei os olhos.


Por favor, vá embora. Por favor! Você não é real, você está morta, eu te matei, eu matei você! Apenas vá! Deixe-me viver, deixe-me esquecer.


...


Tudo está calmo. Será que ela foi embora?


Abri meus olhos e ela estava a centímetros de distancia do meu rosto. Tentei gritar, mas não consegui. O cabelo longo ainda cobria seu rosto, se arrastando no chão entre nós. Os olhos dela estavam fixos nos meus; meus olhos começaram a pesar e eu deitei no chão. Tudo começa a passar por mim, exceto ela. Ela ficou lá, parada, me encarando.


E então, tudo ficou escuro.


06h52min




Outro pesadelo; acordei em uma piscina de suor, meu coração batia forte e minha cabeça doía de forma anormal. Vi o sol pela janela e percebi que ele havia começado a nascer há pouco tempo, fazendo com que os demônios e a escuridão da noite voltassem de onde eles tinham vindo. A sombra cobria meu quarto como se fosse uma jaula. Eu sentei, achei meu relógio no criado-mudo e coloquei no pulso.


Peguei meu rifle que estava debaixo da cama, fazendo com que uma garrafa quase vazia de uísque caísse no chão. Isso explica a dor de cabeça...


Alcancei a garrafa e a joguei no lixo um momento depois, percebendo que seja lá o que eu tenha feito na noite passada, estava esquecido a partir de agora. Comecei a polir minha arma calmamente, e a contar os segundos, acompanhando meu relógio. Isso é monótono, eu sei... Mas me acalma. É parte da minha rotina.


Minha rotina me mantém vivo.


Minha rotina me mantém são.
Leia Mais

Estive No Inferno

terça-feira, 14 de abril de 2015.

Após usar um alicate para abrir a grade, entrei lentamente no local. Várias pessoas se encontravam diante de mim. Usavam as mesmas roupas, e estavam bastante desnutridos, ao ponto de tornar-se possível ver seus ossos sob a pele. Um homem que não aparentava ter mais de vinte anos, arrastou-se em minha direção, parou em minha frente, e me abraçou – ele estava chorando. Eu não soube o que fazer. Ele repetia, “Está tudo bem.” Após uns dois minutos, ele afastou-se chorando. Continuei seguindo para uma construção subterrânea. Abri a porta e imediatamente tapei minha boca e nariz após sentir o terrível fedor que impregnava o local. Liguei minha lanterna e vi as pessoas que estavam ali dentro, todas também desnutridas.

Saí da construção, e vi o mesmo homem que havia me abraçado. Ele estava carregando o pai, ou talvez o avô, que aparentava estar pior que as outras pessoas que eu já tinha visto. Mais pessoas saiam do subterrâneo. Outras tantas estavam empilhadas pelo local, mortas. Esse inferno era contornado por uma cerca de arame farpado. Vi uma senhora com um grande buraco de bala na nuca, e também percebi que os corpos possuíam marcas em seus braços. Esse lugar é o inferno. Roupas com listas brancas e azuis, era tudo que usavam.

Logo ouvi uma voz, gritando distante. Virei-me para ouvir melhor, “Tranque logo essas pessoas, temos que mantê-las presas,” disse um homem de uniforme verde.

“Sim senhor!” respondi imediatamente.



Leia Mais

Uma História Pra Assustar Meu Filho

terça-feira, 31 de março de 2015.


“Filho, nós precisamos ter uma conversa sobre segurança na internet.” Eu lentamente me sentei perto dele. O seu laptop estava aberto, e ele estava jogando Minecraft em um servidor público. Os seus olhos estavam vidrados na tela. Haviam comentários do lado da tela em um chat. “Filho, você pode parar o seu jogo por um minuto?”
Ele saiu do mundo do jogo, fechou o laptop e olhou para mim. “Papai, isso será mais uma história assustadora e brega?”
“O quê?!” Eu fingi uma dor por um segundo, e então sorri para ele, “Eu pensei que você gostava das minhas histórias.” Ele cresceu ouvindo minhas histórias sobre crianças que encontraram bruxas, fantasmas, lobisomens e trolls. Assim como muitas gerações de pais, eu usava histórias assustadoras para reforçar a moral e ensinar lições de segurança. Pais solteiros como eu devem usar todas as ferramentas a sua disposição.

Ele fechou a cara um pouco, “Elas eram legais quando eu tinha seis anos, mas agora estou ficando mais velho, elas não me assustam mais. Elas são meio idiotas. Se você vai me contar uma história sobre a Internet, você pode fazê-la muito assustadora!?” Eu fiquei espantado com a sua incredulidade. Ele cruzou os seus braços, “Papai. Eu enho 10 anos, eu posso lidar com isso.”
“Hmm… Okay… Eu vou tentar.”
“Era uma vez, um garoto chamado Colby…” A expressão dele indicou que ele não tinha se impressionado com o terror da introdução. Ele suspirou e continuou a ouvir mais uma das histórias de seu pai. Eu continuei…
“Colby entrou na internet e entrou em vários sites infantis. Depois de um tempo ele começou a conversar com outras crianças in-game e em chats dos jogos online. Ele fez amizade com um novo garoto de 10 anos de idade chamado de Helper23. Eles gostavam dos mesmos jogos e programas de televisão. Eles riam das piadas uns dos outros. Eles exploraram novos games juntos.
Depois de vários meses de amizade, Colby deu para o Helper23 seis diamantes no jogo que eles estavam jogando. Isso foi um presente muito generoso. O aniversário do Colby estava chegando e o Helper23 queria mandar um presente legal na vida real, Colby achou que não faria nenhum mal dar ao Helper23 o seu endereço, já que ele havia prometido não dizer para estranhos. Helper23 jurou que não diria para ninguém, nem para os seus próprios pais, e então começou a enviar o pacote.”

Eu pausei a história e perguntei para o meu filho “Você acha que foi uma boa ideia?” “Não!” ele disse chacoalhando a cabeça vigorosamente.

“Bem, nem o Colby. Ele se sentiu culpado por ter dado o seu endereço, e a sua culpa começou a crescer, e crescer. Na hora que ele colocou o seu pijama na noite seguinte a sua culpa e o seu medo, estavam maior do que qualquer outra coisa em sua vida. Ele resolveu contar a verdade para os seus pais. A punição seria severa, mas poderia limpar sua consciência. Ele se afundou em sua cama enquanto esperava os seus pais irem cobri-lo.”
Meu filho sabia que a parte assustadora estava chegando. Apesar de sua conversa sobre não ter mais medo dessas coisas, ele se inclinou para frente com seus olhos bem abertos. Eu falei silenciosamente e deliberadamente.

“Ele ouviu todos os barulhos da casa. A máquina de lavar balançando na área de serviço. Galhos batendo nos tijolos do lado de fora de seu quarto. Seu irmão bebê balbuciando no berço. E haviam alguns outros barulhos que ele não conseguia… identificar… Finalmente, os passos de seu pai ecoavam lá embaixo. “Ei, Pai?” Ele disse meio nervoso. “Eu tenho algo para te contar”
Seu pai enfiou a cabeça pela porta de um ângulo estranho. Na escuridão, a sua boca não parecia se mover e os olhos estavam estranhos. “Sim, filho” A voz estava longe também. “Você esta bem pai?” O garoto perguntou. “Uh-huh” sussurrou o pai com a sua voz estranhamente afetada. Colby se cobriu defensivamente, como quem queria se esconder debaixo do cobertor. “Ummmm… A mamãe está em casa?”
“Aqui estou!” A cabeça da mãe apareceu um pouco abaixo da cabeça do pai. A voz dela também estava diferente. “Você ia nos contar que você deu o nosso endereço para o Helper23? Você não deveria ter feito isso” Nós te AVISAMOS para nunca dar informações pessoais nossas na Internet!”
Ela continou, “Ele não era uma criança de verdade” Ele apenas fingia ser uma. Você sabe o que ele fez? Ele veio na nossa casa, arrombou a porta e nos matou” Só para que ele pudesse passar um tempo com você!”
Um homem gordo com uma jaqueta molhada apareceu no quarto segurando duas cabeças cortadas. Colby gritou e engasgou quando o homem jogou as duas cabeças no chão e puxou sua faca e se moveu em direção ao Colby.
Meu filho gritou também. Ele cruzou os braços defensivamente acima de seu rosto. Mas nós estávamos apenas começando com a história.
“Depois de várias horas, o menino estava quase morto e seus gritos se tornaram choramingos. O assassino percebeu o gemido do bebê no outro quarto e retirou a faca do corpo do Colby. O bebê teria um tratamento especial, ele nunca havia assassinado um bebê antes e estava animado com a oportunidade. Helper23 deixou Colby para morrer e seguiu os choros pela casa até o quarto da criança.
No quarto, ele andou até o berço, pegou o bebê e o segurou pelos braços. Ele levou a criança até a mesa de troca para ter uma visão melhor. Mas enquanto ele segurava o bebê o choro parou. A criança olhou para cima e sorriu. Helper23 nunca havia segurado um bebê. Ele balançou lentamente a criança como um profissional em seu colo. Ele limpou sua mão cheia de snague no cobertor para que ele pudesse apertar a bochecha da criança. “Olá pequeno carinha” A fúria e o sadismo se tornaram algo mais aconchegante e leve.
Helper23 saiu daquele quarto, levou a criança para casa, deu o nome William para ele e o criou como se fosse seu.
Depois de terminar a história, meu filho estava visivelmente abalado.Ele disse gaguejando “Mas pai, O MEU NOME É WILLIAM”. Eu dei uma piscada para ele e passei a mão sobre os cabelos dele. “É claro que é filho.” William correu para o seu quarto soluçando de medo.
Mas no fundo no fundo… Eu acho que ele gostou da história.
Leia Mais
segunda-feira, 16 de março de 2015.
Eu não durmo a dias , fico pensando em tudo o que vi , aquele lugar..Aquelas coisas , tudo era real ou apenas um sonho? Não sei dizer...Apenas fico aqui , enquanto espero por eles... Eles estão esperando o momento certo , se eu fechar meus olhos será o fim !

A ultima vez que cochilei , pude ouvi-los se aproximando , aquelas gargalhadas , e suas respirações ofegantes... E então um deles se aproximou e sussurrou em meu ouvido e então acordei . Temo que da próxima vez não seja assim , se eu apagar... Acabou ...

Eu ouço os passos deles por toda parte , pela casa inteira em todos os lugares , eu os vejo rastejando por entre as sombras , eles estão por toda parte ! Tive que me auto mutilar para não dormir , mas até mesmo isso não faz mais efeito , eles sabem que eu estou caindo, já posso vê-los se aproximando , já ouço suas vozes perto de mim .

Acho que dessa vez é o fim...

                              
Leia Mais

Pela Escada

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015.

Não que estivesse atrasado, porém se esperasse por mais alguns minutos certamente ficaria.
Ajeitou a mochila sobre o ombro e apertou novamente o botão do elevador mas, por mais que ouvisse os cabos se movendo e o motor funcionando, nunca chegava até o seu andar.
Eram apenas três andares. Preferiu usar as escadas.
Abriu a porta do corredor que conduzia ao primeiro lance e o sensor de movimento imediatamente acendeu a luz, revelando o caminho até uma porta no lado oposto, que dava na outra metade do andar.
Hesitou por alguns momentos, de ouvido em pé, para ver se o elevador já estava chegando. Apenas o som do motor continuou ecoando pelo fosso que atravessava os andares, mas nem sinal dele chegar.
Então entrou e fechou a porta atrás de si, bem no momento que ouviu um "clique" e o sensor apagou a luz. O tempo de espera não era muito longo.
A escuridão caiu maciça à sua volta, negra e quase sufocante. Um indício de claustrofobia o fez agitar os braços ansiosamente, se sentindo um idiota assim que a luz tornou a acender.
Achou melhor se apressar. Se a luz do andar acima apagasse antes que chegasse no perímetro do sensor abaixo, poderia acabar rolando alguns degraus com aquela escuridão tão intensa.
Cada andar era separado por três lances de seis a sete degraus, virando sempre à direita. Desceu o primeiro e deu de cara com a escuridão do segundo andar invadindo o segundo lance de escada. Sentiu um leve arrepio e começou a descer mais rápido, preocupado com a hora que a luz acima apagasse.
A luz abaixo levou um segundo a mais para acender, quando atingiu o último degrau do terceiro lance. No instante seguinte ouviu o "clique" da luz acima se apagando.
"Melhor descer um pouco mais rápido", pensou. Como da outra vez o lance do meio estava escuro até a metade. Acelerou o passo, começando a ficar mais nervoso do que imaginou que ficaria.
Curiosamente, dessa vez a luz superior apagou antes que terminasse o terceiro lance e a escuridão o envolveu por dois segundos.
Nesses dois segundos sentiu algo que o apavorou: algo o espreitava através da escuridão. Podia sentir e quase ouvia sua respiração. A luz superior continuava apagada.
A luz do andar que estava acendeu. Não havia ninguém.
Agora começou a descer as escadas correndo, sentindo um suor frio escorrer pela suas costas. Não fazia sentido algum, mas quanto mais rápido ia, mais rápido as luzes apagavam e mais tempo demoravam a acender.
Já não fazia ideia de em qual andar se encontrava, nem quantos lances ainda haveria de descer, mas a presença que o perseguia era uma certeza constante e cada vez mais próxima. Ouvia passos, mas não conseguia identificar se eram os seus que ecoavam escada acima.
Tropeçou e deixou a mochila cair. Ouviu o "clique" da luz superior apagando e nada da próxima luz acender. Abaixou-se e tateou o chão atrás da mochila, notando que por mais ruidosa que sua respiração estivesse, não encobria o pavor de sentir que algo se aproximava inexorável e lentamente pelas suas costas, como se tivesse a certeza de que o alcançaria por mais que corresse.
A luz acendeu e viu o "T" pintado na parede. Finalmente o térreo. Pegou a mochila a tempo de sentir um leve movimento cálido em sua nuca.
Correu em direção à porta de saída sem coragem de checar se tinha mesmo alguém atrás de si e quanto mais corria, mais longe a porta ficava. Desesperou-se. Algo escorreu pelo seu rosto. Poderia ser suor ou lágrimas, mas não lembrava de ter começado a chorar. Faltava pouco e estendeu a mão para segurar a maçaneta. Um último impulso e soltou um gemido que foi quase um grito de terror. Se demorasse mais um segundo para alcançar a maçaneta a luz poderia…
"Clique."
Leia Mais

Quem É Esse Homem Atrás de Você?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015.
Eu estava mexendo no PC Umas 3 Da Manha Num Site de Bate Papo Online A Procura de Uma Namorada,Havia entrado Em muitos outros Sites de Bate Papos,Ate que encontrei este,só havia uma Pessoa Online Uma Garota,Mas o Nome dela Não Estava Aparecendo,Nos Conectamos Pela WebCam,Ela era Uma Garota Linda de Olhos Azuis,Cabelos Lisos,Mas havia um Homem Estranho Atras dela De Palito Preto e Uma Gravata Preta,Eu Perguntei Para Ela -Quem é este Homem Atras De Você,Uma Gota De Lagrima Saiu dos Olhos Dela,E O Homem Pos Uma Faca no Pescoço dela,E Foi Cortando Pouco a Pouco. Antes Dela Morrer ela Me Perguntou Também,Quem é este Homem Atrás de Você? Estou Agora Mesmo Digitando Essas Palavras,E Repassando As Mundialmente Enquanto ainda Estou Com Meia Parte Do meu Pescoço sem Estar Cortada, Fique Atento
Não Pode ser Agora Mas Este Dia Vai Chegar,Tente não Se Esquecer Destas Palavras Para Quando Chegar o Dia Quem Sabe Você Consiga Se Livrar - Quem É Este Homem Atrás de Você?

Alguns Erros Ortograficos foram Corrigidos
Leia Mais

Foi Real?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015.
Eu estava voltando da escola, como sempre, e notei uma casa velha , mas não depredada ou pichada, o que é muito estranho, por que por onde eu moro há muitos vândalos e pichadores, como se algo os impedisse, medo, será?Isso realmente despertou minha curiosidade, e a cada dia, que eu passava por aquela casa, minha curiosidade, cada vez mais e a casa continuava do mesmo jeito, intocada, e então um dia eu agi por impulso e fui entrando, minha mente dizia: 'cara, para enquanto há tempo, tu vai se meter em encrenca, para...'

Mas meu corpo havia parado de obedecer a partir do momento em que pisei no terreno, então entrei , a casa estava vazia e de repente tudo ficou escuro,ignorando o fato de haver janelas no ambiente e ainda estar de dia, mas eu conseguia ver uma luz vindo duma sala e como qualquer pessoa fui ate ela, só que antes de alcança-la, me vi caindo, e enquanto caia,eu tinha visões, cada caso policial não solucionado, roubos, estupros, sequestros, assassinatos, sendo resolvidos pra mim, diante dos meus olhos, realmente incrível... e quando tudo acabou, estava em casa, na minha cama, como se eu só tivesse sonhado tudo aquilo...mas será? Tudo pareceu tão real...
Leia Mais

Relato de um Jogador de C.S

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015.
"Era mais ou menos o ano de 2006 quando eu era viciado em Counter Strike e jogava todo dia. Eu estudava da manhã na época e por isso começava a jogar a tarde e muitas vezes entrava na madrugada jogando."

"Nesse tempo eu conheci muita gente, alguns se tornaram bons amigos e conversávamos muito no MSN, e foi em uma das noites no CS que um jogador novo entrou. Ele não falava nada, mas jogava muito bem. O nick dele era lightbel3, mas todo mundo o chamava de Light porque era mais fácil."

"Os dias foram passando e todo dia o mesmo cara entrava, todos no servidor conversavam, mas ele ficava calado, não fazia piadinhas, não xingava ninguém e nem puxava assunto. Ele só respondia quando perguntavam algo via texto, ele nunca dizia nada no microfone".

"Um dia todo mundo foi saindo do servidor até só ficar eu e o Light e como eu não queria mais jogar, peguei o MSN dele para conversar. Ele não era muito diferente no MSN e falava muito pouco também."

"As semanas foram passando e aos poucos eu começava a conversar cada vez mais com ele e logo comecei a considera-lo um bom amigo. Ele falava mais comigo do que com os outros, no CS ele continuava calado mas no MSN conversava comigo, embora eu sempre tivesse que tomar a iniciativa."

"Certa vez um outro jogador que todo mundo conhecia, o Calsonx17, começou a xingar o Light dizendo que ele usava Cheat e o Light ignorou. O Calson ficou puto com ele e o Light não dizia nada, só o matava várias vezes seguidas, até que uma hora o Calson teve que sair e se despediu do pessoal e nessa hora o Light mandou a mensagem "Você já esta morto".

"O Calson xingou muito o Light antes de sair, mas não deu em nada. Depois de alguns dias o pessoal notou que o Calson parou de entrar no jogo e também não aparecia no MSN mais, e logo começaram a brincar dizendo que o Light o tinha matado de verdade. Era uma brincadeira que todos riam, mas o Light continuava a não falar nada."

"Quando eu comentava com ele no MSN sobre o Calson ter sumido, ele não levava o assunto em diante. Até que mais ou menos um mês e meio depois o Calson entrou no servidor, todo mundo começou a brincar falando que ele voltou dos mortos."

"Mas o mais estranho é que ele não disse nada, apenas começou a jogar calado, nem no chat de texto ele falava nada. No MSN ele ficava online mas não respondia as perguntas e todo mundo começou a estranhar."

"Uma semana depois durante uma partida de madrugada ele finalmente falou. Enquanto todos jogavam ele disse pelo microfone o seguinte: "Eu só queria me desculpar pelo o que eu falei naquele dia Light."

"E tudo ficou mais estranho quando ele sumiu de novo, não se conectou mais no jogo nem no MSN, de vez em quando conversavamos sobre ele e alguém perguntava algo pro Light, mas ele só respondia "Não Sei" ou algo do tipo"

"Três Meses depois disso o Light me falou uma coisa que me deixou muito feliz. Sua mãe tinha recebido uma proposta de emprego e em dois meses ele iria se mudar para a minha cidade (São José do Rio Preto).

"No começo a mãe dele não sabia para que lugar da cidade iriam se mudar, mas quando estava próximo de vir, ele me disse o nome do lugar. Era na Vila Imperial, que fica apenas três quarteirões ds onde moro."

"Quando ele se mudou, eu marquei de ir visita-lo no final de semana seguinte, ele chegou numa Quinta Feira aqui e no Sábado a tarde fui até a casa dele."

"Chegando lá, eu interfonei e esperei um pouco, então ouvi o som de tirar o gancho mas ninguém disse nada, então eu falei "Light?" e ouvi a voz dele pela primeira vez, dizendo "Pode Subir". O portão se abriu e subi, era o sexto andar..."

"Quando o elevador se abriu, eu fui andando e olhando o numero das portas, até perceber que a dele ficava no fim do corredor"

"Ao chegar, percebi que a porta estava aberta, apenas encostada, provavelmente ele deixou assim para quando eu chegasse, mas mesmo assim bati na porta, esperei um pouco e ouvi uma voz dizer "Entra André".

"Eu empurrei a porta que dava na sala e achei muito estranho o fato dela estar completamente vazia, eu sabia que estavam de mudanças mas o normal era ter um monte de móveis bagunçados e não uma sala completamente vazia."

"Eu entrei na sala e chamei "Light?" mas não veio ninguém, fiquei um pouco nervoso com isso pois não queria ir vasculhar a casa dele e chamei mais umas três vezes até resolver esperar e após uns dois minutos chamei de novo mais algumas vezes e entrei para os fundos do lugar."

"Achei estranho quando olhei o primeiro quarto e não tinha móvel algum também, assim como a cozinha e outro cômodo, eu já estava ficando nervoso nessa hora e não estava gostando da brincadeira."

"Quando cheguei ao ultimo quarto, ele estava com a porta fechada e eu a abri e me assustei quando vi um garoto de costas pra parede, mas logo perguntei "Light?". E ele falou a coisa mais sinistra que já ouvi na vida que foi:"

"Light é o nome que vocês me chamam na Internet, mas aqui eu prefiro que você me chame pelo nome que todos me chamam, que é:"

"SATANÁS!"

"Eu quase gritei quando ele falou isso, foi muito sinistro e então vi ele começar a se virar para minha direção, mas não cheguei a ver o rosto dele, eu saí correndo do apartamento. No corredor eu ainda consegui ouvir passos atrás de mim e desci pela escada mesmo."

"Saí daquele prédio e chegando em casa eu deletei ele do MSN e fiquei sem jogar CS por um bom tempo, eu nunca comentei isso com os meus amigos do servidor porque fiquei com vergonha, mas aquilo foi perturbador."

"Hoje em dia eu fico pensando sobre o que foi aquilo e que tipo de brincadeira doentia aquele cara estava tentando fazer, eu nunca mais passei perto do prédio e nem pretendo voltar, mas aquilo foi perturbador, sem dúvidas foi."

                                                                                                                    FONTE - Nerd Maldito
Leia Mais

Sozinho em Casa

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015.
Estava sozinha em casa e escutava nos noticiários que existe um assassino foragido.
Olhava para o quintal através das portas de vidro está um homem parado na neve.
Ele combina com a descrição feita pelos noticiários e ele está olhando para mim,enquanto ria.

O medo toma conta de mim. A primeira coisa a fazer é ligar para a policia.
Olhava pela porta de vidro enquanto aproximava o telefone no ouvido,verifico que o homem está cada vez mais próximo.

Chocada,derrubo o meu telefone e começo a chora desesperado.

Não existia pegadas na neve.
Era o reflexo do homem .
Leia Mais

Um canal de televisão diferente

terça-feira, 20 de janeiro de 2015.
Em alguns canais de televisão, as pessoas assistem duas versões diferentes do mesmo canal. Isso geralmente é causado por filiais que são próximos, por exemplo, enquanto você vive em Nova Jersey, você pode receber também a programação de outra filial do ABC, tanto as pessoas que vivem em Nova York e Filadélfia, ou que vivem no sul da Califórnia e recebem a programação de Los Angeles e San Diego.

Estes canais, na realidade, não deviam existir. As empresas de televisão são criadas para se concentrar em torno de uma só cidade, mas algumas oferecem duas versões diferentes do mesmo canal.
Se você ver o outro canal, o canal com a pior recepção de sinal, você vai começar a perceber que esse mesmo canal relata eventos que nunca aconteceram, sobre pessoas que não são reais, sobre uma tecnologia que não deveria existir, e anúncios de produtos que você nunca ouviu falar.
Os teóricos da conspiração dizem que essas estações de televisão pertencem a um mundo alternativo. Eles falam que as notícias ficam cada vez piores por lá, nessa dimensão separada da nossa. Há relatos de pessoas que assistiram ao canal desse mundo alternativo.
Só espero que eles não estejam falando de nós.
Leia Mais

Quando Acaba a Luz

sábado, 17 de janeiro de 2015.
Vocês que estão lendo isso me respondam nos Comentários se quando acaba a luz na casa de vocês ou as vezes quando acaba a luz na casa de vocês tem ou nunca tiveram a impressão de estar sendo vigiado?Ou Então que os objetos da casa parecerem bichos ou olhos ou cabeças,ou pessoas,etc... te olhando quando você anda rápido sem olhar diretamente para eles,seja qualquer objeto ate um perfume,e que depois quando olha de volta para eles diretamente você percebe que é só seu simples perfume,ou controle,ou boneco,o que seja...

Agora me falem se isso nunca aconteceu com vocês como ate objetos grandes,parecerem pessoas te olhando,sim essas impressões são realmente estranhas,mas isso significa que seu celebro consciente ao Sub-Consciente tentando te mostrar que você esta sendo vigiado ,você pode não perceber mas em nossos celebros,partes do subconsciente percebem qualquer uma dessas coisas seja um vulto passando tão rápido a menos de 1 Segundo,essas partes percebem qualquer uma dessas coisas e assim como quando a falta de luz e a gente percebe essas coisas é nosso Sub-Consciente nos avisando,ate tabém quando esta escuro algumas vezes percebemos não?
Leia Mais

Por quê você não pode falar com os mortos

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015.
A minha tia era uma vigarista e ela aprendeu com o melhor - o pai dela. O meu avô nunca fez algo muito grande, porém ele viveu trapaceando, se mantendo discreto, fora do radar, o que provavelmente fez com que ele nunca fosse pego. Nenhuma vez. Ele se orgulhava muito disso.
Mamãe não entrou no “negócio” da família. Em vez disso ela encontrou uma religião e se casou com um contador. É tão irônico, é como uma piada, porém é verdade; O papai era o melhor em me ajudar com as lições de casa de Matemática. Mamãe cuidou de mim para que eu não tivesse uma infância corrompida, e pudesse seguir um caminho mais interessante na vida.
Tia Cassie era a única pessoa que poderia mexer no caminho da minha vida. Ela era uma psicóloga, o que a fazia um pouco mais respeitável. Mas a tia Cassie usava sua habilidade para “ler” uma pessoa de várias maneiras possíveis, uma, provavelmente não foi esperada pela Universidade que emitiu o seu diploma.
Tia Cassie era uma verdadeira psíquica.
Ela teve uma loja e tudo, vendia cristais, ervas, velas. Tudo que você precisar para preencher o vazio místico da sua vida poderia ser comprado na sua pequena loja. Também havia uma sala privada nos fundos, a qual ela usava para leituras espirituais e sessões espíritas.
Por que ambos os meus pais trabalhavam, eu era deixado na loja da tia Cassie para ajudá-la com os seus pequenos shows. Eu a ajudava com tudo, desde mexer nas luzes, até bater nas paredes. Brincar com o termostato foi ideia minha, e foi uma muito efetiva. Os clientes chegavam a sentir arrepios em suas espinhas não é mesmo? Por quê não oferecer isto?
Cassie me ajudou a me tornar o cético que eu sou hoje. Me mostrou tudo por trás das cenas, truques e etc… Nós assistíamos talk shows com mágicos e médiuns e Cassie me explicava cada passo desde uma simples previsão até como impressionar uma audiência inteira.

Depois de um episódio realmente convincente, eu perguntei para ela se aquilo não poderia ser real? E ela respondeu:
“Os mortos não falam. Qualquer um que afirmar o contrário está fumando maconha até pela bunda.”
Era a convicção dela, mais que tudo, que me fez acreditar nela.
Só houve um cliente que eu já vi a minha tia recusar. Ele era velho, careca e corcunda. Ele tirou o seu chapéu, entrou na loja, e ele torcia o chapéu a medida que ele falava. Cassie ficou tensa imediatamente quando o viu.
O homem disse que trabalhou no sistema penitenciário. Corredor da morte. Ele foi responsável por executar alguns dos maiores criminosos do planeta. Em sua idade avançada, isso o atormentava, devorava sua alma. Ele queria que a Cassie entrasse em contato com as almas daqueles que ele matou, para que ele pudesse se desculpar e implorar por perdão antes de se juntar a eles.

Minha tia ficou em choque. Eu nunca a vi tão nervosa! Ela jogava coisas nele e gritava: “SAIA SAIA SAIA CALA A BOCA SAI FORA!”
Eu me escondi debaixo do balcão com as mãos sobre meus ouvidos até ele ir embora. Depois eu pensei que a reação dela, foi o medo devido a profissão daquele homem. Um executor deve ser o pior pesadelo de um vigarista.
Eventualmente eu descobri isso. Eu queria fazer um show para os meus pais e estupidamente eu tive a brilhante ideia de me passar por um médium, onde eu fingiria falar com o meu avô para a minha mãe, desde que ela sentia muita falta dele. Grande erro. Mamãe enlouqueceu e me proibiu de ver a tia Cassie de novo.
Eu deixei alguns livros na loja, então eu corri para pegá-los enquanto a minha mãe fumava no carro lá fora. Tia Cassie nem precisou perguntar o que havia de errado. Ela podia ver no meu rosto. Eu dei um abraço nela e um adeus enquanto chorava, mas ela me contou um último segredo antes de eu ir.
“Garoto, tem uma maldição nesta família que é passada como uma tocha. Eu espero que os deuses te protejam, e que não seja passado para você quando eu morrer”
Nós não nos falamos novamente por 9 anos. Isso foi quando o Facebook chegou e nenhuma proibição dos pais poderia me evitar de tentar me reconectar com ela. Foi estranho. Ela estava com dificuldades na vida; foi diagnosticada com um transtorno de esquizóide que acabou com os seus negócios.
Para pagar suas contas, ela teve que trabalhar legitimamente e com isso ela foi perdendo todo o seu entusiasmo e paixão pela vida
Um dia eu cheguei em casa e vi uma mensagem esperando na minha inbox, que fez o meu estômago embrulhar.
“Eu te amo garoto. Lembre-se do que eu disse para você.”
Eu disquei o número dela, já chorando. Ninguém atendia. Não parava de ligar de novo e de novo, várias e várias vezes…
Eu estava muito atrapalhado e não consegui contar para a minha mãe. A polícia fez isso por mim no dia seguinte.
Acidente de carro. Motorista bêbado.
O funeral foi um borrão para mim.Eu sentei entre os meus pais na primeira fila e eu estava transtornado, tentando me lembrar do que a minha tia queria que eu me lembrasse.
Nós seguimos o carro fúnebre até o cemitério em silêncio. O padre disse algumas palavras e então eu fui deixado sozinho perto da sua lápide, e eu continuava tentando lembrar.
Eu ouvi trechos da conversa dos meus pais:
“Se Cassie não tivesse sido tão oculta…”
“-Esperando uma pequena participação. É uma vergonha.”
Pequena participação? Aquilo me incomodou. As caixas com coisas do serviços iam até o teto. Eu me virei para dizer algo e eu finalmente entendi.
Atrás dos meus pais haviam várias pessoas, todas paradas encarando o morto a sua frente. Meus pais não estavam dando para eles a menor atenção. O padre murmurou algumas condolências e desculpou-se indo embora pela direita, sem perturbar uma única pessoa.
À frente do grupo, todos olhando exatamente como eu olhei quando vi Cassie pela última vez. Todos os sentimentos e condolências do mundo, não fizeram nenhum bem. A boca dela estava bem aberta, realmente muito aberta e finalmente eu entendi. Eu descobri qual é a maldição da família. Eu sei porque os mortos não falam.
Eles estão muito ocupados gritando.
Leia Mais

Não Olhe Embaixo da Cama

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015.
Quando você está em seu quarto , deitado , ou até mesmo sozinho , você tem a sensação de que está sendo observado ?

Ou até mesmo quando está deitado , sente como se algo ou alguém estivesse ali deitado ao seu lado , mas quando passa a mão não sente nada ?

Eles sempre estão lá , eu não acreditava muito no começo mas agora eu sei , eles sempre estiveram lá desde o começo dos tempos , isso é tão confuso de explicar , eles sempre estão ali mas só são visíveis no escuro , mas não são visíveis para todos só para os que eles querem. Eles moram embaixo de nossas camas , e alimentam - se de nossos sonhos.

Eles são como os nossos amigos imaginários esquecidos no fundo do armário de nossas mentes , e eles não vão parar até que acabe com nossos sonhos , ou até que os vejamos novamente, e assim , eles possam nos controlar de novo, se você tentar vê-lo essa noite pode sofrer graves consequências, eles não são tão amigáveis agora que está mais velho por isso querem acabar com você .

Você o esqueceu , deixou ele de lado , e simplesmente o apagou de sua vida como se ele não fosse nada e ele quer vingança agora e ele vai acabar com você , ele já te afastava de todo quando eram criança agora ele vai fazer pior . Ele vai mexer com sua mente de um jeito tão assustador que vai deixá-lo insano e fazendo assim , todos iram se afastar de você.

E assim , você será todo dele...
Leia Mais

Passos de Madrugada

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015.
Eu costumava ser uma pessoa de hábitos noturnos , costumava passar madrugas inteiras acordada até mesmo quando não tinha mais oque fazer , às vezes acostumava ficar deitada em volto à escuridão olhado para o teto enquanto imaginava a minha "vida perfeita" ou coisas do gênero , afinal , quem nunca fez isso não é mesmo ?

Naquela noite tudo estava diferente, tudo estava acontecendo de formas contrárias por exemplo durante a tarde eu costumava ficar em frente ao computador jogando ou assistindo , mas nesse dia não , bem nesse dia eu só conseguia ficar andando pela de um lado à outro sem rumo , não conseguia ficar parada .

E então eu resolvi procurar algo para ler para tentar me distrair e então o fiz , achei um livro antigo na estante do quarto de meus avós , que por algum motivo estava aberto naquele dia , coisa que não é muito de costume... Então o peguei mesmo estando na contra capa escrito à mão por um papel velho "NÃO O LEIA POR FAVOR" , curiosa do jeito que sou não o obedeci , claro , eu precisava lê-lo precisava saber o motivo pelo qual aquela pessoa havia escrito o tal aviso .

E então comecei a lê-lo ,aparentemente era apenas mais um livro de religião , apenas um livro comum que falava sobre anjos , demônios , deuses pagãs ou até mesmo pactos e invocações , eu nunca fui de acreditar nisso , sempre fui uma pessoa séptica com tudo , então continuei lendo o misterioso livro .

Aproximadamente às 2:55 AM , eu resolvi parar e ir para cama ,afinal já estava tarde , e ao me deitar eu me lembrei de algo que estava descrito em uma das páginas daquele livro mais conhecida também como Hora Morta , era algo como se os mortos saíssem do lugar para o quais foram mandados e viessem para a terra para assim se comunicar ou apenas voltar a ver o mundo no qual viviam outrora e , foi aí onde tudo começou a acontecer , começou com passos pela casa ou até mesmo na rua , eu sabia que a rua em que moro não tem movimento , então achei aquilo totalmente estranho ainda mais por estarem correndo que não é algo comum à aquela hora.

Então os passos começaram a vir para dentro de minha casa , o que a aquela hora também era impossível pois todos já haviam dormindo há tempos, então resolvi ficar quieta em minha cama ,embaixo de meu coberto pensando em que talvez realmente aquilo fosse a hora morta.

Então por algum motivo eu levantei e resolvi ir até a cozinha , e foi quando os vi , sim eu os vi não eram algo como vultos ou apenas sombras eram realmente almas , pessoas , pessoas de verdade só que transparentes pois eu podia os atravessar , mesmo um pouco assustada eu continue meu caminho , e então eu pude ver uma luz e eles a seguiam , seguiam - na até sumir .

Agora não me preocupo mais com eles, já estou acostumada mas o fato de pensar que um dia me tornarei um deles , é estranho , ou o fato de que eles não parecem ter consciência do que fazem como se fossem programados à fazer isso me agonia .

Então , se um dia ouvirem passados durante a madrugada ( 3A.M mais precisamente falando ) e quiserem dar uma olhada para ver se são algumas almas perdidas , já sabem o que fazer.
Leia Mais

Sortudo

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014.
Você tem sorte, sabia? Você nunca vai ouvir os sussurros macabros que surgem no fundo do armário, nunca sentir o frio se rastejando em sua coluna vertebral. Você nunca vai fazer uma pausa durante uma volta no corredor, porque você sabe que se você olhar para trás, você vai ver algo que não deveria estar lá.

Algo que se arrasta, no meio das sombras. Algo que, uma vez que o vê, nunca vai parar de correr em sua direção. Ele não virá atrás de você enquanto estiver dormindo. Ele quer que você saiba que ele está lá. Ele quer que você ouça o som incessante de seus passos, a sua respiração ofegante ecoando pelo seu quarto. Ele sente o cheiro seu medo, e escuta o seu choro, e pode ver o horror em seu rosto enquanto ele se aproxima.Se você tiver sorte, você não vai tentar encontrá-lo. Você nunca vai prestar atenção aos sinais. Você não vai tentar procurar a as coisas que voam pelo canto do seu olho. A ignorância será o seu escudo e sua proteção.
Não seja muito curioso; leve os sons como se fossem os de uma casa antiga, ou uma falha no aquecedor, ou qualquer outra desculpa que você pode pensar. Faça o que fizer, pense o que quiser, não acredite. Porque uma vez que você acreditar, eles vão se tornar reais.
E quando você finalmente descobrir quem eles são...
Eles virão para você.
Leia Mais

Amor Pútrido

terça-feira, 30 de dezembro de 2014.
Sozinho.Frio.
São coisas que ninguém quer ser, mas é isso que eu sou.
Muitas pessoas podem dizer que eu sou muito jovem para saber o que é o amor. Eu não sei como o mundo define o amor, mas eu tenho minha definição de amor.
Onde quer que você vá, eu te sigo. Onde quer que você fique, eu fico. Eu nunca vou embora. Sem você, eu não existiria.
O amor não é o cuidado, a compaixão, nem afeto, é estar com alguém para sempre. Eu cuido de você, e você raramente me nota.
Meus amigos me dizem que eles experimentam a mesma exclusão. Eu raramente consigo ver meus amigos. Somos todos iguais. Nós não lutamos, para não sentir dor física. Sempre me pergunto por que você negligenciam o que te protege. Sem nós, você não seria capaz de dormir. Eu sempre estou ao seu lado enquanto você sonha, para que eu possa te dizer o quanto eu amo você, sem você ficar assustado.
Deito ao seu lado enquanto você dorme.
Vemos as torturas que os seres humanos causam uns aos outros por causa de sua nacionalidade, raça, cor, fala, orientação sexual, opiniões e diferenças. Nós não temos isso. Isso me deixa triste, sabe? Nós nunca queremos cometer os males que vocês fazem um com o outro, mas não podemos fazer nada, nos devemos lhe obedecer.
Você acha que eu quero te machucar? Você acha que eu quero te prejudicar?
Nós não queremos. Você precisa saber como se sente ao ser abandonado quando você está em busca de amor.
O amor é estar com alguém para sempre, mas ninguém vai te amar quando você está sozinho.
Eu espero que você não me esqueça mais, ou eu vou ter que sufocar você. A única vez que você não pode me notar é durante o sono. Sempre foi assim, sabe? Eu sou o ranger no sótão. Eu sou aquele sentimento que você tem quando anda em um quarto escuro. Eu sou o calafrio que acorda você de seu sono. Você às vezes se sente como se alguém estivesse em sua porta te olhando. Eu só posso fazer isso no escuro.
Estou dizendo isso por amor a você. Quando você está acordado durante a noite, estava de frente para o luar da janela, você estaria com medo de me ver na frente de você. Eu sou um contrário da luz, e você sabe disso. Você floresce sob o sol enquanto eu fico do seu lado, porque você sabe que eu temo o brilho do sol.
A única vez que eu posso sempre sentir confortável ao seu redor é durante a noite e na escuridão quando eu posso me separar de você e me mover livremente. Eu sei que você sabe quem eu sou, e eu sei que você sabe que eu estou lá. Eu não vou te machucar, amor.
Atenciosamente, sua sombra.
Leia Mais

A Vida na Máquina

Ser um programador, um dos meus maiores sonhos sempre foi a de desenvolver um jogo original, algo sem precedentes na indústria do jogo. Depois de jogar Spore , fiquei intrigado. Foi uma tentativa de fazer as pessoas tomam em suas mãos um universo.Depois de pesquisar o que fez os jogos tornou-se popular, cheguei à conclusão de que o principal aspecto de tudo isso foi o controle .

Na vida cotidiana, as pessoas não têm controle de seus arredores. Eles dizem para fazer, para onde ir, como viver. Suas obras estão de pé ou sentados, durante oito horas e só então pode voltar para casa. Há uma infelicidade mistério.

Para muitas pessoas, os videogames são uma fuga para um mundo em que assumir o controle , ou quando uma vida extraordinária fantasia cheia de aventuras viver. Este aspecto de controle podem ser encontrados normalmente em jogos de estratégia ou de aventura estilo RPG.

Vi jogos como The Sims , e percebeu que o que a tornou tão popular não era apenas a ilusão de controle, mas o grau de controle. Este toma posse a vida das pessoas.

Antes de chegar The Sims , há SimEarth . Um jogo onde não controlada para indivíduos particulares, mas toda a Terra. Em conclusão, eu decidi que tinha de criar um jogo que envolveu esses conceitos.

Spore era um jogo em que o jogador simplesmente "guiado" evolução. O que fez fracasso total Spore foi a falta de controle real que as pessoas tinham. Dificilmente poderia ser comparado com a evolução do mundo real.

Para fazer isso, eu comecei a desenvolver um sistema de física. Eu sei que algumas física, mas decidiu ficar completamente e criar uma versão simplificada, onde certas partículas foram capazes de interagir de maneiras específicas. Quando se trata deste, física torna-se extensos e complexos problemas matemáticos.

Foi desenvolvido módulos de simulação de energia e matéria, eram sistemas simples, como uma energia de sol radiante, cercada por um planeta que aproveitado esse poder.

Então eu decidi criar células básicas de arranhar-los eles estavam "codificada" para desenvolver no sistema em que foram concebidos. Eles viveram a energia irradiada do Sol, e possuía uma substância de codificação de código "genéticas" produzidos. Acho que eu poderia chamar meus eucariotos.

A passagem de poucos minutos o meu mundo estava cheio destas células, que são então passados ​​para sofrer mutações. As células mais eficientes na conversão de energia solar em substâncias úteis para dividir, sobreviver. Era chato, mas funcionou.

Então eu decidi fazer uma expansão do sistema físico, forçando as células para criar resíduos tóxicos, com o tempo, acabam por matá-los. Notei que algumas células respondeu a esta criando menos.

Outros responderam por produzir algo para a eliminação destes resíduos. No entanto, outras reações químicas desenvolvido para "limpar" o lixo.

E algo fascinante aconteceu em seguida. Executando a simulação de vários séculos (alguns minutos na vida real), algumas células produzidas grandes quantidades destes resíduos para a finalidade. Notei que ele estava fazendo com que outras células perecer.Os primeiros predadores tinham surgido no meu mundo.

Com o advento de pequenos predadores, a diversidade neste pequeno mundo simulado cresceu exponencialmente. A resposta de algumas células foi escapar quando estavam com a toxina. Outros resistência desenvolvida e alguns deles usados ​​a toxina para crescer.

Algo interessante aconteceu. As células foram fugindo, eles usaram essa vantagem agrupados com toxinas. Eles ficaram em grupos e eles ajudaram-se mutuamente.Eventualmente, eles se uniram. Eram estranha simbiose, onde a célula que normalmente fogem da toxina, foi agora à procura de locais onde se fez este desperdício, e depois a outra toxina celular consumidos alimentar sua companheira.

Sem entrar muito em detalhes, eu comecei a ficar muito animado e eu decidi deixar o simulador de corrida todos os dias (eu fui para a cama às 5 da manhã). Quando eu acordei, e às 11h, notei que o mundo que ele havia criado foi totalmente mudado quase irreconhecível.

Grandes estruturas semelhantes a plantas foram crescendo neste planeta consumido por outra agência que alimentou neles. Visualizando o log do sistema, notei que o planeta não tinha mudado muito durante as últimas horas. O que significava que ele atingiu novamente a "estagnação", onde a simplicidade do meu simulador impedido formas de vida mais complexas evoluíram.

Expandiu o sistema por uma divisão de diferentes tipos de "energia" com diferentes comprimentos de onda foram absorvidos em diferentes níveis de moléculas diferentes.Implementar vibrações no ar, criar um simulador de peso improvisado, e algumas alterações extras.

Isso fez com que o simulador irá trabalhar mais lento, obviamente, mas valeu a pena o sacrifício de recursos. Eu fiquei o dia inteiro assistindo com muito simulador de incentivo, e brincar com ele, pois ele era um defeito completa. Organismos complexos começou a se desenvolver, as plantas dependiam um do outro, e os terríveis predadores foram atraídos para comer.

Eu gostei muito, e eu notei que algumas criaturas desenvolveram um "som de alerta". Ou seja, quando eles notaram que um predador se aproxima, fez um som, e outras espécies que fogem em poços cavados no solo. Outros desenvolveram um som de "acasalamento".

Eu comecei a me divertir um pouco mais. I desenvolveu uma ferramenta que me permitiu colocar organismos específicos na Terra, e colocar meu nome nele. Criar 10 "meteoro" e colocá-los em um único lugar no planeta para as ilhas, querendo ver se os animais desenvolveram de forma diferente em lados opostos da ilha. Eu fiz uma ilha em forma de sorriso com erupções vulcânicas.

Quando eu pudesse perceber, pássaros e cantou no lugar; outra vez eu tinha ficado até 5 da manhã acordado. Eu me senti cansado, então me deitei para dormir até uma tarde sobre. Quando voltei para o simulador Eu estava em choque.

Diferentes grupos da mesma espécie havia construído estruturas rochosas. Alguns sorriso como os outros na forma de meu nome. Eu não sei por que eles fizeram isso, ou como. Mas eu percebi que atacando uns aos outros de vez em quando.

Não sei o que fazer com isso, mas chegou à conclusão de que os corpos tinham alguma forma de aviso de que o sorriso e o nome que eu escrevi foram "especial". As lutas me deixou desconfortável, então eu decidi criar uma enorme montanha entre os vales para separar os dois grupos.

Nesse ponto, as alterações drásticas começou a acontecer. Enquanto dormiu por horas para tribos para desenvolver, agora quanto tempo ele levou-me para ir para um copo de água foi o suficiente para tribos e suas casas completamente alterados.

E eles estavam sempre em constante crescimento. Depois de um tempo, notei que as criaturas começaram a fazer seus próprios símbolos no chão, não se limita a copiar o meu. A maioria dos símbolos parecia aleatória, mas uma se destacou.

As agências tinham criado um símbolo que se assemelharam a eles. Um pequeno círculo com um fundo quadrado. Dentro da caixa havia um ponto no centro. O objetivo aqui era um simbolismo para os órgãos visuais da criatura. Eles tinham um olho na frente e outra atrás. Na mesma praça, representando órgãos sensoriais e reprodutivos.

Perto do círculo no quadrado, pode ser visto o que parecia ser uma espécie de garfo.Dois destes grampos foram desenhados em sentidos opostos. E perto deles era uma imagem de um sorriso.

Então eu percebi: Eles não estavam tentando se comunicar. Eles estavam tentando comunicar algo "lá fora". Meu intrusão no seu mundo que de alguma forma fizeram entender que algo poderoso estava por trás disso, para ser capaz de mudar o mundo.

Pensei comigo mesmo se símbolos como as pirâmides ou Stonehenge em meu mundo não seria nada parecido com o que estava acontecendo no jogo. A súplica ao criador entra em contato com eles. No entanto, uma coisa era inegável: essas criaturas estavam cientes de que algo mais existia.

Eu estava filosofando algum tempo. Era minha responsabilidade fazer contato com algo que não era mesmo real? Ou será que as criaturas eram verdadeiro eu de forma diferente? Qualquer coisa pode ser real para o simples fato de estar consciente sobre si mesmo? Devo mudar o simulador para torná-los felizes permanentemente? Seria possível?

Ele não queria que a minha existência foi confirmada, mas desejava comunicar. Eu decidi programar um "profeta". Um organismo que se assemelharam a eles, mas era impossível provar que ele era diferente. E isso seria totalmente controlada por mim.


Eu fiz isso para o mundo em um lugar privilegiado, como o filho do líder. Eu decidi dar o exemplo, e eu mantive a minha língua ensinando essas criaturas, para que maneira eu poderia me Levá-los. Como profeta ensinar-lhes a minha língua era uma maneira de se comunicar com o "Superior". Nunca fiz eles sabem se era verdade ou.

Embora ainda não decidiu se deve ou não revelar, seria capaz de entender e saber o que eles queriam dizer. Talvez isso seria possível em poucas gerações. Depois de algum tempo, todos falavam a minha língua.

E rapidamente símbolos que formam palavras começaram a aparecer no chão.

"Leve-nos", "mostrar sua grandeza", "Ajudem-nos"

E durante os períodos de doença, da fome e da miséria:

"Queremos comida" "FAÇA UM MILAGRE" "TERMINA COM NOSSO SOFRIMENTO"

Eu decidi que eu não poderia continuar a manter este mundo com tanto sofrimento deixando o ato simulador sem a minha intervenção. Não era aceitável para deixar um mundo com a morte, estupro e assassinato se ele estava em minhas mãos para mudar isso.

Eu implementei correções graduais, para que eles não pôde ser verificada como milagres. O assassinato e estupro tornou-se cada vez mais raros ao longo dos anos, e também a morte do jovem. Eu pensei que ninguém iria notar as mudanças que aconteceram, se tivessem lugar ao longo de gerações, mas eles fizeram.

"THX"

"Bênção estar com o Supremo"

"NÓS TE AMAMOS"

E o que eu estava de coração partido:

"Volta para nós"

Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Alguma coisa estava acontecendo. Eles sabiam que ele estava aqui, ele poderia controlá-los, mas não queria por medo do que eu tinha criado. Embora eu senti que tinha a responsabilidade.

Então eu fiz um novo personagem e enviou ao rei, solicitando uma conversa com os seus homens mais sábios. Mas, desta vez, não havia credibilidade.

"Você é o número 1456 dizendo ser um representante do Ser Supremo. Se você fosse ele, eu rezo para o seu perdão, mas por favor, mostre um sinal antes que você me pergunte se reunir com o meu sábio ".

Fiquei desapontado, mas respondeu.

"Amanhã, dois dos meus meteoritos caem em uma ilha deserta, no mesmo dia. E quando isso acontece, não há dúvida de que o mundo virou-se para perceber que crê. "

Depois que eu saí com o meu avatar, eu continuei com a simulação até o dia seguinte e jogou dois meteoritos para uma ilha deserta perto de uma praia onde essas criaturas viveram. Milhares se reuniram para ver os sinais.

Após a queda de meteoritos, as celebrações começaram. Todas as agências se reuniram perto da casa do meu personagem e fez reverência, aparentemente elogiando o que o superior tinha enviado abordado com medo.

Não sei quem estava mais com medo do tempo, ou eles. Carreguei o personagem de novo e saiu da casa. As criaturas ainda estavam prostrados no chão em reverência, no mais absoluto silêncio. Como se sentia indigno de falar:

"Que o homem mais sábio ficar" Eu falei.

E uma das estranhas criaturas se levantou.

"Obrigado por ter vindo de volta. Diga-me, você tem algo a perguntar? "

Hesitei antes de responder. "Não há nada que você pode fazer por mim, mas precisa ser bom para o outro e dizer a seus medos e desejos."

A criatura respondeu: "Sabemos que você é de outro mundo, e estamos todos com medo.Nós entendemos o quão vulneráveis ​​somos e como incompetente a nossa experiência.Por favor, deixe-nos ir para o mundo a partir do qual criou a nossa. "

Comecei a chorar na frente do computador, ao responder "não sei como."

A criatura respondeu: "Correndo o risco de ofendê-lo, por favor, entenda a gravidade da nossa situação. Nós vivemos em um mundo incompleto, estamos sempre em risco de desaparecer, para nunca mais ser visto novamente. Nós não teria consciência de perceber nosso mundo chegou ao fim ".

Eu percebi que eles não estavam cientes de que eu só tinha o poder absoluto do seu mundo e qualquer controle além. Nem sabia que o meu conhecimento sobre o seu mundo era limitado. Ele poderia ter criado através de leis simples, mas essas leis foram criadas uma realidade pura e complexa que não tinha capacidade para entender.

Eu respondi novamente: "Só eu tenho o poder em seu mundo. No meu mundo Eu não tenho poder, e eu não posso trazê-los aqui, porque o meu mundo não tem controle.Também não tenho a plena compreensão do mundo que eu criei. Eu não sei o que é melhor para você. Só você sabe deles, e eu preciso me informar suas necessidades. "

E a agência esperou um momento. Pensei que iria parar de se comunicar comigo, mas o homem sábio falou:

"Você criou um mundo incompleto, com criaturas que não podem fugir, e não têm poder para salvar. Eles não têm a liberdade ou o poder absoluto. Estamos à sua mercê e, então, pedimos, do fundo de nossos corações, para nos dar um fim. "

Naquela época, eu estava chorando muito, eu estava confuso porque eu pedi o impossível. Os meus filhos pedindo para matá-los.

Foi então que eu notei as luzes piscando no meu quarto, pouco antes do meu computador foi desconectado. Eu tentei conectar meu computador novo, mas já não funcionava. Liguei para a empresa de energia e foi dito que era devido a um acidente, o poder tinha sido cortada sem aviso prévio. Eles disseram que iriam pagar por qualquer dano que poderia ter acontecido.

Eu desliguei e eu estava pensando. A partida, que teve lugar era muito acreditar que era tal. Se as criaturas estavam à mercê de um criador confuso poderia dizer o mesmo sobre o meu? E se assim for, é o meu Criador tivesse mantido o mesmo erro que ele?
Leia Mais